
O BRICS, bloco formado por onze países membros, dentre estes o Brasil, Rússia, Índia e China, formalizou no dia 25 de abril a criação da Federação das Instituições de Engenharia do BRICS. A FEIBRICS é uma organização social internacional, acadêmica e sem fins lucrativos, estabelecida voluntariamente por instituições de engenharia, institutos de pesquisa, instituições de ensino superior, empresas e outras entidades dos países membros.
A cerimônia ocorreu na cidade de Shenzhen, província de Heilongjiang. A SME foi representada pelo vice-presidente José Cláudio Nogueira Vieira, que integra conselho fiscal da Federação Brasileira de Associações de Engenheiros (FEBRAE). Vieira acompanhou o presidente da entidade nacional, Hideraldo Rodrigues Gomes, que estendeu a ele o convite à viagem ao Oriente.
De acordo com o vice-presidente da SME, os chineses buscam acordos com o Brasil para dar maior mobilidade e permissões de trabalho aos engenheiros formados nos dois países. Há um acordo bilateral entre Brasil e Portugal, assinado em 2015, e estendido em fevereiro deste ano, mas ele se restringe aos dois territórios. “O Acordo de Washington trata dessa mobilidade em nível mundial, mas o Brasil não é signatário. O novo cenário da economia global, com a guerra tarifária instituída após as sanções impostas pelos EUA, acelerou o interesse dos chineses por novos mercados e parceiros e a engenharia é parte importante desse processo”, avalia Vieira.
A criação da nova organização foi feita sob a orientação da Sociedade Chinesa de Engenheiros, do Instituto de Tecnologia de Harbin, do Centro de Treinamento e Serviços Profissionais, da União Russa de Associações Científicas e de Engenharia e da FEBRAE. A ideia central da nova entidade é “participar ativamente da governança global da engenharia, explorar ao máximo o potencial dos países do BRICS na área, promover padrões de acreditação para o ensino de engenharia, avaliação de competências de engenheiros e reconhecimento mútuo internacional nos países do BRICS”.

Viera e Gomes cumpriram extensa agenda em três dias de visita à China. Boa parte da programação foi concentrada no Instituto de Tecnologia de Harbin, na província de Heilongjiang. Apenas esse campus conta com mais de 10 mil alunos, todos da área de Engenharia. “São cinco mil na área de graduação, quatro mil de mestrado e mil de doutorado. Percebemos ali um esforço coordenado para avanços na área tecnológica. Na Harbin, por exemplo, ficam dedicados projetos, pesquisas e inovações relacionados ao Programa Espacial da China, entre outros temas”, descreve.
O avanço na pauta dos chineses passa por outras instâncias, como acordos de cooperação, diplomacia e todo um regramento que segue a legislação nacional para o ensino e o exercício das profissões. A Federação Brasileira de Associações de Engenheiros deverá definir nas próximas semanas a estratégia para o melhor entendimento da matéria. E como, eventualmente, levará o interesse dos chineses ao conhecimento do Confea, do Ministério da Educação (MEC) e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), responsável por formular e implementar a Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação no Brasil, por exemplo. “Para além dos chineses, há também significativo interesse dos russos nessa pauta”, explica Vieira.
A FEIBRICS já conta com a participação de 50 entidades chinesas e estrangeiras.

Leia matéria sobre o acordo entre Brasil e Portugal, publicada na Newsletter da SME, em março de 2025
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