
O Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) divulgou dados de uma pesquisa inédita sobre o perfil dos cerca de 1,2 milhão de profissionais registrados em todo o País. Trata-se da maior pesquisa quantitativa da história do Sistema Confea/Crea e Mútua. A alta formalização é um indicador do aquecimento do setor: de acordo com o levantamento, 40% dos profissionais estão em regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e 11% no serviço público.
A satisfação com o mercado de trabalho também é evidenciada na pesquisa, com 67% dos profissionais satisfeitos com suas atuais posições, em todas as idades, profissões, formações e Estados. E mais: metade dos entrevistados acredita que o mercado de trabalho vem melhorando nos últimos cinco anos. “Quando falamos em impulsionar o desenvolvimento do Brasil, precisamos mapear como pensam os agentes responsáveis para tirar os projetos do papel”, assinala o presidente do Confea Vinicius Marquese.
Os profissionais registrados ganham mais do que a média nacional – inclusive, acima do rendimento médio dos advogados. Para Marchese, especialista em Inovação e Gestão de Negócios, as informações permitem o Confea entender a dimensão dos desafios, especialmente em relação a atuação técnica e qualificada na área tecnológica brasileira. “De um lado, há baixa procura por cursos nestes segmentos. Do outro, profissionais indispensáveis para gerar infraestrutura, inovação, sustentabilidade, mobilidade e outras temáticas que transformam a vida das pessoas. Qual caminho devemos seguir como Conselho Profissional e como podemos contribuir com a gestão pública? Esse foi o nosso objetivo com a pesquisa”, disse.

Foto:Freepick
Cenário desafiador
Os dados também apontam que a relação entre idade e renda indica um crescimento progressivo dos ganhos conforme os profissionais avançam na carreira. A maior transição de renda ocorre entre os 30 e 34 anos, faixa etária em que a maioria ultrapassa os cinco salários-mínimos. O avanço é promissor, mas o cenário ainda é desafiador para a Engenharia.
Pesquisas recentes apontam para falta de mão de obra especializada na área tecnológica. Entre as principais causas, há uma redução significativa no número de engenheiros formados, com impacto direto em setores como infraestrutura, tecnologia e energia, além de uma baixa procura por esses cursos na graduação. A crescente demanda reflete no mercado de trabalho aquecido: 92% dos profissionais estão em exercício. Destes, 78% atuam em sua área de formação, segundo dados da pesquisa.
A analista responsável pelo estudo, Graziele Silotto, gerente da área de Inteligência da Quaest, ressalta que a mensagem geral é que o mercado de trabalho da engenharia brasileira está passando por uma profunda transformação. “A categoria mostra sinais claros de renovação, com maior diversidade, bom posicionamento no mercado de trabalho e forte orgulho profissional. Os desafios estão na valorização da carreira e na necessidade de uma atuação institucional mais próxima e relevante para os profissionais”, acrescenta.

Foto:Freepick
Profissão com propósito
Diretamente ligados ao desenvolvimento dos municípios e à construção de um futuro mais igualitário e sustentável, os profissionais do Sistema Confea/Crea e Mútua são movidos por propósito e encaram suas atividades técnicas como uma verdadeira missão em prol da população. Quando perguntados sobre suas profissões, 95% dos entrevistados acreditam que sua atuação contribui para um Brasil e uma sociedade melhores, e 79% indicariam a carreira para as futuras gerações.
Foram entrevistados 48 mil profissionais registrados, das áreas de Engenharia, Agronomia e Geociências, com uma confiabilidade de 95% para a amostra geral. A coleta dos dados foi realizada em todos os Estados brasileiros, entre 23 de setembro de 2024 e 2 de fevereiro de 2025.
Conheça mais dados da pesquisa do Confea
https://www.confea.org.br/midias/uploads-imce/Pesquisa_Quaest_Confea_0.pdf
Com informações da assessoria de comunicação do Confea