COP e Engenharia

Parte das soluções esperadas para a COP 30 dependem da engenharia

Engenharia assume papel decisivo nas soluções para a crise climática que estarão em debate na COP30, em Belém. Inovação, adaptação e transição justa são prioridades para um futuro sustentável

O mundo se aproxima da COP 30, marcada para novembro de 2025, em Belém, e é imperativo refletir sobre o papel da engenharia na construção de soluções concretas frente às mudanças climáticas. O desenvolvimento de novas tecnologias, inovações em infraestruturas e expertise na gestão de recursos naturais são algumas das frentes que as engenharias deverão liderar para contribuir significativamente nas discussões e ações que a conferência exige.

Não existe bala de prata no combate à mudança do clima. As conferências do clima discutem inúmeros temas, com destaque para os assuntos ligados à mitigação, que são ações para reduzir as emissões ou aumentar as remoções de gases de efeito estufa, e assuntos sobre adaptação, que são ações que visam minimizar os efeitos adversos da mudança do clima que já está ocorrendo.

Na COP29, realizada no Azerbaijão, o foco principal foi o financiamento climático (tanto para mitigação, adaptação, dentre outros) dos países desenvolvidos aos em desenvolvimento. Apesar da necessidade estimada de US$ 1,3 trilhão anuais, os compromissos firmados somam apenas US$ 300 bilhões/ano, e a recente saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris reduz as perspectivas de avanços significativos na COP30. Assim, a COP30 deve priorizar o tema da adaptação à mudança do clima, com debates sobre metas globais, métricas e cronogramas.

Diante do fracasso das metas de mitigação, cresce a urgência de investir em adaptação para evitar o agravamento dos impactos e o avanço do debate sobre perdas e danos. Outro tema de destaque será a transição justa, que busca assegurar justiça social, trabalho digno e equidade para comunidades vulneráveis. Considerando o cenário de tensões geopolíticas, a presidência da COP30 pretende enfatizar a agenda de ação, promovendo a implementação prática de soluções climáticas.

E onde as engenharias se encaixam nessa conversa? Diversos temas em discussão nas COPs têm interface direta com a engenharia, que deve dispor de profissionais altamente capacitados para propor e implementar soluções inovadoras.

Na área da adaptação à mudança do clima, os engenheiros devem propor projetos ligados a uma engenharia mais resiliente, contra as vulnerabilidades. Nas cidades, planejamento urbano, obras de drenagem e reservatórios de água, realocação de populações em áreas de risco, áreas verdes e mobilidade sustentável são alguns exemplos. Na área de energia, podemos citar proteção de redes elétricas contra tempestades e inundações, diversificação da matriz energética com renováveis distribuídas e planejamento de operação de hidrelétricas em cenários de seca. No campo, a engenharia tem sido fundamental na introdução de variedades de cultivos resistentes à seca, salinidade ou calor, sistemas agroflorestais para diversificação e proteção do solo, manejo sustentável de florestas para reduzir o risco de incêndios e pragas e irrigação eficiente.

Em relação à mitigação, é urgente que as ações saiam do papel e se tornem parte do cotidiano da sociedade. No campo da transição energética, o Brasil é referência em fontes renováveis, especialmente biomassa, hidrelétricas, energia solar e eólica. A engenharia deve liderar a implementação de sistemas híbridos e inteligentes, promovendo a diversificação da matriz energética e contribuindo para metas nacionais de redução de carbono. A descarbonização industrial também possui enormes desafios, com altos custos envolvidos e necessidade de desenvolvimento de tecnologias mais baratas e escaláveis. A gestão sustentável de recursos naturais encontra na engenharia aliados estratégicos, não somente para a redução das emissões nos setores ligados ao uso da terra, mas também para aumentar as remoções de carbono da atmosfera.

Finalmente, a engenharia tem um papel essencial na inovação tecnológica e na pesquisa aplicada, fornecendo dados, metodologias e protótipos que subsidiem políticas públicas e acordos internacionais. A colaboração entre universidades, empresas e associações profissionais garante que as soluções sejam não apenas viáveis tecnicamente, mas também sustentáveis e socialmente inclusivas.

Como diretor da SME, estou seguro de que a engenharia não deve ser apenas observadora das decisões globais, mas protagonista das soluções. O conhecimento técnico, aliado à criatividade e à responsabilidade socioambiental, coloca a profissão em posição de liderança para enfrentar os desafios das COPs e contribuir efetivamente para um futuro mais sustentável, resiliente e próspero para todos.

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