Participo da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima desde 2019 e volto dessa trigésima edição realizada no Brasil com uma convicção: a engenharia não pode ser coadjuvante e deve ocupar um papel central nas soluções climáticas globais.
A cada ano que passa, fica evidente que não haverá avanço real no enfrentamento da crise do clima sem conhecimento técnico aplicado, inovação e capacidade de implementação — atributos intrínsecos às engenharias.
A COP30, evidenciou avanços pontuais, mas também a lentidão nas respostas globais aos desafios climáticos, especialmente em financiamento, adaptação e transição energética. Ainda assim, Belém marcou uma inflexão simbólica ao levar o debate climático para a Amazônia, deixando um legado para a região e reforçando a centralidade do tema florestal.
A principal decisão política da COP30, chamada de Mutirão Global, buscou acelerar a ação climática e consolidar a implementação do Acordo de Paris, reconhecendo que o ciclo completo de políticas climáticas do Acordo entrou em operação, porém o texto reafirmou a necessidade de mais ambição para que o mundo consiga reduzir as emissões em 43% até 2030, 60% até 2035 e alcançar a neutralidade climática até 2050. O texto também reforçou o papel estratégico das florestas na mitigação e adaptação, destacando a necessidade de deter o desmatamento até 2030, com salvaguardas sociais e ambientais robustas, e de integrar soluções baseadas na natureza às políticas climáticas globais.
Nos temas centrais, os avanços foram limitados. O financiamento climático evoluiu de forma gradual, mas sem novos compromissos robustos que serão necessário para o atingimento da meta de $1,3tri/ano. Apesar do reconhecimento da urgência, os recursos continuam muito abaixo do necessário. Projetos de engenharia climática enfrentam dificuldades de escala por falta de financiamento adequado, especialmente em países em desenvolvimento. A adaptação climática, apesar de ter se tornando um tema central, carece de fontes claras de recursos e a transição dos combustíveis fósseis segue sem encaminhamentos estruturantes.
Em síntese, a COP30 evidenciou a necessidade de maior coordenação política e técnica para que o Brasil aproveite plenamente as oportunidades e fortaleça sua liderança em soluções climáticas.
Nesse contexto, a engenharia assume papel estratégico e estruturante na transformação dos compromissos climáticos em resultados concretos. É por meio da engenharia que metas se tornam projetos executáveis, tecnologias são escaladas e soluções são implementadas com eficiência, segurança e mensuração de impactos. Infraestrutura resiliente, transição energética, uso sustentável do solo, sistemas de monitoramento e inovação tecnológica dependem diretamente da atuação das engenharias para viabilizar a mitigação, a adaptação e a implementação efetiva das políticas climáticas.
A Sociedade Mineira de Engenheiros (SME), pode fomentar ainda mais os espaços institucionais, reconhecimento e participação ativa nas decisões estratégicas, comum papel fundamental nesse processo: articular profissionais, qualificar o debate público e defender a presença da engenharia onde as decisões que moldam o futuro estão sendo tomadas.
A engenharia brasileira pode colaborar com conhecimento, criatividade e capacidade técnica de excelência podendo liderar soluções climáticas.
Reforço, sempre, que a crise climática é, acima de tudo, um desafio técnico, social e ético. E a engenharia precisa — e pode — ser protagonista na construção de um futuro mais sustentável, resiliente e justo. E na SME podemos construir caminhos e soluções, juntos.

Adriano Scarpa Tonaco é gerente no Instituto Brasileiro de Árvores (IBA), coordenador da Comissão de Gestão de Gases de Efeito Estufa e Atividades Relacionadas da ABNT e diretor na Sociedade Mineira de Engenheiros (SME).