Criação de federação pode gerar oportunidades na crise

 

A criação da Federação das Instituições de Engenharia do BRICS é parte de uma estratégia, mais ampla, de abertura comercial da China e que tem implicações também em outros países do bloco, como a Rússia. A disposição da FEIBRICS é estabelecer uma plataforma para intercâmbio e cooperação na área de engenharia entre os países do BRICS, promover a coordenação e a interoperabilidade de padrões técnicos de engenharia, facilitar o desenvolvimento profissional e liderar a prática de engenharia e a inovação tecnológica. Engenharia é desenvolvimento. Há, portanto, um interesse maior nessa aproximação.

A presença da FEBRAE na China, entre os dias 24, 25 e 26 de abril, ampliou contatos não apenas com os anfitriões, mas russos, sul-africanos e profissionais de outros países para discutir temas como a construção e o desenvolvimento do ensino da Engenharia, padrões de competências e mobilidade desses profissionais. “As guerras, a militar gerada pela Rússia e a tarifária promovida pelos EUA, podem gerar oportunidades para o estreitamento das relações comerciais entre o Brasil e a China”, analisa José Cláudio Vieira.

A despeito dos impactos econômicos, que serão mensurados para permitir avanços, são inegáveis as vantagens competitivas dessa aproximação. A FEIBRICS deverá formular conjuntamente a estrutura para os padrões de acreditação de programas de educação em engenharia e a estrutura para os padrões de avaliação de competências de engenheiros nos países membros. O estatuto de criação da entidade também prevê “construir e compartilhar conjuntamente os recursos para o desenvolvimento profissional contínuo, convocar conferências acadêmicas ou de intercâmbio na área de engenharia e estabelecer periódicos internacionais na área de engenharia”.

Em suma: realizar a popularização da ciência na área da engenharia. Esse, afinal, não é o interesse de todas as entidades que representam e defendem a engenharia no país?

Agenda política

Lideranças diplomáticas também se debruçaram sobre o tema no encontro entre os chanceleres dos países que compõem o bloco nos dias 28 e 29, no Rio de Janeiro. Após a guerra tarifária imposta ao mundo pelo presidente norte-americano, Donald Trump, os representantes elaboram uma estratégia conjunta do sistema de comércio global. Assim como os chineses, como informou José Cláudio, o Brasil vê o BRICS como mais uma oportunidade de equilíbrio no contexto desse tipo de medida norte-americana.

O secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores e Sherpa do Brasil no BRICS, embaixador Mauricio Carvalho Lyrio, destacou a importância de fortalecer a Organização Mundial do Comércio (OMC), como mediadora de conflitos globais. Ele considerou um “problema crônico” o fato de que o Órgão de Apelação (OA), responsável pelas decisões em segunda instância, esteja paralisado desde 2019, quando os EUA passaram a bloquear indicações de novos juízes.

Para ele, o Brasil é parte de um grupo que tem parceiros de peso como Japão, Canadá e União Europeia, que se compromete a ter uma apelação com juízes indicados pelos próprios países. “Infelizmente só temos esse sistema paralelo atualmente. Importante que os países reforcem o apoio à OMC”, disse Lyrio na abertura da agenda no Rio.

Os diplomatas devem divulgar uma declaração conjunta criticando “medidas unilaterais” sobre o comércio. A China, atingida por tarifas de 145% sobre suas exportações para os Estados Unidos, é a parte mais interessada neste movimento e busca, desde o anúncio de Trump, alternativas para não perder mercado. O Brasil pode transformar em oportunidade a crise no comércio global.

Com informações da Agência Brasil

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