Déficit habitacional

Seminário Internacional “30 anos da Pesquisa do Déficit Habitacional no Brasil” abre debate sobre desafios e avanços no setor

Evento da FJP celebra a pertinência do monitoramento dos indicadores no setor da habitação.  José Cláudio Nogueira Vieira, vice-presidente da SME, analisa os desafios e oportunidades do mercado atualmente

A Fundação João Pinheiro (FJP) realiza o Seminário Internacional “30 anos da Pesquisa do Déficit Habitacional no Brasil”, nos dias 11 e 12 de novembro, no auditório do BDMG, em Belo Horizonte, em celebração às três décadas de pesquisa sobre o déficit habitacional no Brasil.

O evento reunirá especialistas, gestores públicos e representantes do setor produtivo para discutir avanços, desafios e soluções inovadoras para a questão habitacional no país, abordando o papel dos indicadores habitacionais, a relevância das diferentes bases de dados e os desafios relacionados ao espaço urbano brasileiro. Será também uma oportunidade para compartilhar experiências inovadoras de enfrentamento ao déficit e traçar o panorama atual da moradia no Brasil e no mundo.

Para reforçar o debate, José Cláudio Nogueira Vieira, vice-presidente da Sociedade Mineira de Engenheiros (SME), antecipa para os leitores da news Diálogos da Engenharia alguns pontos relevantes acerca do tema. Leia o texto e participe do evento:

Repensando o Déficit Habitacional: Qualidade, Sustentabilidade e Financiamento Eficiente

O déficit habitacional no Brasil, que em 2023 chegou a aproximadamente 5,97 milhões de domicílios, conforme dados divulgados pela Fundação João Pinheiro (FJP), traz consigo um desafio maior do que apenas construir moradias.

O governo federal estabeleceu a meta de contratar 3 milhões de unidades habitacionais até o final de 2026, superando em mais de 50% a meta inicial de 2 milhões. Para alcançar essa meta, é fundamental que os investimentos sejam direcionados não apenas para a quantidade, mas também para a qualidade das moradias, incorporando os princípios de sustentabilidade e planejamento urbano integrado.

Reduzir o déficit habitacional no Brasil requer uma abordagem holística, que considere entregar moradias duráveis, estejam atentas à sustentabilidade ambiental, considerem um planejamento urbanístico integrado e seja economicamente viável com condições de financiamento acessíveis.

Somente com uma estratégia abrangente será possível reduzir o déficit habitacional promovendo o desenvolvimento urbano sustentável no país.

Atuo nesse mercado há quase três décadas e percebo que, para enfrentar esse desafio de forma eficaz, é essencial ir além da ampliação quantitativa das unidades habitacionais. Detalho a seguir os pontos que considero mais relevantes:

Qualidade das Moradias
A execução das unidades habitacionais deve priorizar a qualidade dos ambientes construídos, garantindo durabilidade, conforto e segurança para os moradores. Muitas vezes, a urgência em atender à demanda desse grave problema favorece projetos que oferecem apenas uma infraestrutura básica, que ao longo dos anos pode se mostrar menos eficiente e, até comprometer a boa utilização do imóvel. Investir em projetos bem desenvolvidos, detalhados e executados é fundamental para evitar gastos com manutenções frequentes e melhorar a satisfação daqueles que os utilizarão durante boa parte de suas vidas.

Projetos Sustentáveis
A sustentabilidade deve ser incorporada em todas as etapas do processo, desde o planejamento até a construção e o uso das moradias. Utilizar materiais sustentáveis, implementar sistemas de captação de água da chuva e promover a eficiência energética são práticas que reduzem o impacto ambiental e os custos operacionais para os moradores. Além disso, áreas verdes e espaços comunitários em quantidade adequada podem contribuir para o bem-estar coletivo e a integração social.

Planejamento Urbanístico Integrado
Outro ponto que pode ser aperfeiçoado é o desenvolvimento de um planejamento urbanístico que considere a localização estratégica, o acesso a serviços essenciais como saúde, educação e transporte público, bem como a integração eficiente das habitações produzidas com a infraestrutura urbana existente. Projetos isolados de grande porte, sem essa visão integrada, podem resultar na manutenção de áreas periféricas com baixa qualidade de vida e dificuldades de acesso a oportunidades adequadas, entre outros problemas estruturais.

Condições de Financiamento Acessíveis
Não podemos deixar de mencionar que os juros altos inviabilizam soluções com capital privado para o déficit habitacional no Brasil. O custo do financiamento habitacional é um fator determinante para o acesso à moradia. Em 2025, a taxa Selic permanece muito elevada, impactando diretamente as parcelas para o pagamento de financiamentos de longo prazo. A previsão é que, a partir de 2026, haja uma redução gradual das taxas de juros, o que pode facilitar o acesso ao crédito para muitas famílias.

Além disso, o governo federal está implementando medidas para ampliar o acesso ao crédito habitacional, incluindo a criação da Faixa 4 do programa Minha Casa, Minha Vida, voltada para famílias com renda de até R$ 12 mil, e a implementação de um novo modelo de financiamento imobiliário com juros mais baixos a partir de 2026.

Percebo como primordial a participação efetiva da engenharia nas políticas públicas para que fazer mais e melhores moradias seja viável e sustentável pelo bem comum e desenvolvimento econômico sustentável.

Programe-se e participe do Seminário Internacional “30 anos da Pesquisa do Déficit Habitacional no Brasil”

🗓 11 e 12 de novembro, das 9h às 17h

📍 Auditório do BDMG (Rua Bernardo Guimarães, 1.600, Lourdes – Belo Horizonte/MG)

🖥 Inscrições gratuitas via Sympla: https://www.linkedin.com/posts/fundacao-joao-pinheiro_em-2025-as-pesquisas-do-d%C3%A9ficit-habitacional-activity-7386398421751959552-0LoF?utm_source=social_share_send&utm_medium=android_app&rcm=ACoAAAueYGEB_cO43KmhKy7j-5nFOUwr3tHrvTs&utm_campaign=whatsapp

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