Engenharia deve fomentar a Cultura de Doação pelo desenvolvimento sustentável no Brasil

SME reforça o papel da engenharia pública e do voluntariado técnico diante dos desafios do desenvolvimento sustentável em Minas Gerais.

A sociedade brasileira está diante de um ponto de inflexão. As mudanças climáticas, o aumento da desigualdade, a pressão sobre as cidades e a fragilidade das infraestruturas urbanas tornam evidente uma verdade incontornável: a engenharia tem papel estratégico para garantir segurança, resiliência e bem-estar coletivo. Mas, para que esse papel seja plenamente exercido, é preciso que o setor adote — de forma naturalizada e permanente — uma cultura de doação baseada em conhecimento, tempo técnico e compromisso público. É o que defende Mila Corrêa da Costa, Secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (SEDE/MG).

Para Mila, Minas Gerais é hoje um retrato de que muitas das urgências podem ser mitigadas e adaptadas com iniciativas que facilitem a cultura de doação organizada e estratégica pela economia mineira. Corrêa destaca que, mesmo com políticas públicas inovadoras e responsáveis, o estado ainda é desafiado por áreas de risco geológico, déficit habitacional e o fato de que mais de 30% da população vive em áreas suscetíveis a desastres climáticos, conforme o estudo Risco Climático 2023, do IBGE.

Soma-se a isso a realidade dos municípios de pequeno porte, que possuem baixa capacidade para elaborar projetos estruturantes, acessar recursos federais e implementar as soluções técnicas de que tanto necessitam.

Para ela, a engenharia, a arquitetura e a agronomia, atuando de forma técnica e ética, têm o poder de aumentar a inteligência coletiva, escalar ações replicáveis e fortalecer a solidariedade pelo presente e pelo futuro do estado. “Não há transformação sem projeto, sem método e sem pessoas capazes de construir soluções que cheguem a todos os territórios, especialmente os mais vulneráveis. E, apesar dos desafios, Minas hoje vive um novo cenário em todos esses setores, reflexo de oportunidades crescentes de qualificação de mão de obra, de empregos e de investimentos em infraestrutura. Isso permite um salto qualitativo na realidade de vida da população, que é determinante para expandirmos um sentido de responsabilidade coletiva”, reitera a secretária.

Dados recentes reforçam essa urgência. Segundo o Brazil Giving Report 2024 (Charities Aid Foundation), apenas 36% dos brasileiros declararam ter doado dinheiro nos últimos 12 meses, e menos de 20% participaram de ações estruturadas de voluntariado. Embora o país seja solidário em situações emergenciais, a cultura de doação contínua ainda está distante do padrão observado em nações com alto índice de desenvolvimento humano.

Por outro lado, o World Giving Index 2024 indica que o Brasil ocupa apenas a 66ª posição no ranking mundial de generosidade — um resultado que evidencia o potencial não explorado da participação cidadã.

Virgínia Campos, presidente da SME, completa que desafios estruturais como enchentes, saneamento, moradia segura e transição climática demandam mais que ações isoladas. “Prover a cultura de doação é assegurar um salto qualitativo que incorpora o conhecimento técnico como pilar da transformação social e econômica. Estou segura de que a engenharia e as instituições profissionais, como a SME, tornam-se essenciais nessa jornada e convoco todos a participarem”, finaliza.

Ela convida à reflexão acerca da urgência de a cultura de doação ser incorporada pelas engenharias nessa mobilização permanente de tempo técnico, inteligência metodológica e participação cidadã para acelerar soluções em Minas Gerais.

E há razões objetivas para isso. A engenharia permanece como uma das principais forças de transformação social em Minas Gerais, especialmente diante de desafios estruturais que exigem respostas técnicas urgentes. De acordo com a Defesa Civil de Minas Gerais, cada R$ 1 investido em prevenção evita até R$ 7 em perdas humanas, ambientais e materiais, evidenciando que projetos bem elaborados têm impacto direto na redução de enchentes, soterramentos e colapsos estruturais.

A fragilidade técnica de grande parte dos municípios amplia esse cenário. Mais de 60% das prefeituras mineiras não contam com engenheiros suficientes em suas equipes, segundo dados da pesquisa Munic 2023, do IBGE. Essa escassez limita a elaboração de projetos, a captação de recursos federais e a implementação de soluções estruturantes.

O avanço rumo aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) também depende, de forma direta, de engenharia qualificada em áreas como saneamento básico universal, infraestrutura verde, energias renováveis, mobilidade segura, gestão de resíduos e adaptação às mudanças climáticas.

Ao mesmo tempo, fortalecer a cultura de doação de conhecimento técnico ajuda a criar pontes entre profissionais, sociedade e governos, ampliando a capacidade de resposta das cidades e gerando impacto coletivo duradouro.

A Sociedade Mineira de Engenheiros reafirma seu compromisso com uma engenharia ética, cidadã e orientada ao interesse público. Naturalizar a cultura de doação não é apenas um gesto solidário: é estratégia técnica, política e civilizatória para garantir que Minas Gerais avance com segurança, sustentabilidade e justiça social.

Veja algumas das iniciativas possíveis de doação técnica que podem gerar resultados concretos — e procure apoio da SME para desenvolvê-las:

• Mapeamento de áreas de risco em municípios pequenos.
• Projetos executivos simplificados para mobilização de recursos federais.
• Consultorias técnicas para organizações sociais que constroem moradias emergenciais, barraginhas, hortas urbanas ou ações climáticas.
• Mentorias para prefeituras estruturarem planos de mobilidade, drenagem, energia limpa ou resíduos.
• Apoio técnico a comunidades ribeirinhas e de encosta, elevando padrões de segurança.

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