Engenharia e Terceiro Setor em resposta às fortes chuvas em Juiz de Fora

Diante dos impactos das intensas chuvas que atingiram Juiz de Fora e municípios da Zona da Mata nos últimos dias, a Sociedade Mineira de Engenheiros (SME) reforça a importância da articulação técnica e social para apoiar a população afetada e contribuir com as ações emergenciais.

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG), mobilizou técnicos e especialistas para colaborar com a Defesa Civil Estadual e demais órgãos de resposta, por meio da avaliação de estruturas, mapeamento de riscos e orientação profissional nas áreas mais impactadas.

Para o presidente do Crea-MG, Marcos Torres Gervásio, engenheiro civil e de segurança do trabalho, a atuação dos profissionais da engenharia é decisiva em momentos como este. 

“Avaliar estruturas, mapear riscos e orientar intervenções emergenciais são medidas que contribuem para preservar vidas e reduzir prejuízos. O Crea-MG cumpre seu papel institucional ao colocar sua capacidade técnica a serviço da sociedade e ao apoiar a Defesa Civil nas ações necessárias.”

Corroborando esse papel estratégico de engenheiros e arquitetos, Virginía Campos, presidente da SME, destaca ainda o papel do Terceiro Setor, na mitigação de riscos. “Em situações de crise climática, a engenharia com visão social e a mobilização comunitária são fundamentais. Por isso, a SME como instituição reforça seu compromisso com a promoção de práticas que integrem técnica, inovação e impacto social para apoiar as populações mais vulneráveis.”

A engenheira Patrícia Helena Gambogi Boson, conselheira da SME e coordenadora da Comissão Técnica de Recursos Hídricos e Saneamento, também tem atuado no desenvolvimento de propostas e recomendações técnicas que abordem a gestão da água e a resiliência de infraestrutura urbana diante de eventos extremos — um aspecto essencial para a prevenção e mitigação de desastres climatológicos. 

Os recorrentes impactos consequentes das chuvas, precisam ser analisados por 3 aspectos. Primeiro, as chuvas têm ocorrido com maior intensidade, com maior frequência. Segundo, os solos, que recebem as chuvas estão bastante alterados, especialmente nas áreas urbanas, com a impermeabilização dos solos, a ocupação desordenada em áreas que naturalmente são vulneráveis, sujeitas a erosão. Terceiro, falta engenharia” 

Boson avalia, ainda, que a engenharia, que nasceu da necessidade de proteção das intempéries e busca por alimentos do homo sapiens, e hoje muito avançada na especialização da gestão das águas pluviais, enriquecida pela vanguarda da tecnologia da informação e pelo conhecimento científico das soluções com base na natureza (engenharia da natureza), as chamadas SBN, está, especialmente no centro das políticas públicas, totalmente negligenciada. 

“São raros os exemplos de cidades que têm plano de diretor de drenagem atualizado, moderno e operante. É fato que as chuvas estão realmente mais intensas e frequentes, mas as perdas, especialmente as mortes poderiam ser minimizadas, até evitadas, se levassem a sério – cargos e salários condizentes com a responsabilidade, a engenharia pública, e se não houvesse cortes orçamentários drásticos na agenda das infraestruturas, especialmente de saneamento, onde se encontram os serviços de drenagem” 

A especialista destaca, ainda, que a comissão técnica da SME é uma força para a gestão pública e mercado e organizações sociais convergirem esforços. E convoca profissionais da área participarem da formação Gestão de Águas Pluviais e Municípios, uma parceria da SME com a Associação Mineira dos Municípios (AMM) que ocorrerá entre os dias 19 e 20 de março na sede da AMM.  Inscrições aqui: central.amm-mg.org.br

Solidariedade e ação social

Além do apoio técnico, o Crea-MG iniciou uma campanha de arrecadação de donativos para atender as famílias atingidas. A sede, em Belo Horizonte, as inspetorias do Conselho em Nova Lima, Barbacena, Ubá, Muriaé, Viçosa, Ponte Nova, Conselheiro Lafaiete, São João Del-Rei e Juiz de Fora e o escritório em Carandaí, estão funcionando como pontos de coleta.  

O Crea-MG vai apoiar a logística de distribuição dos donativos nas áreas mais impactadas, em articulação com os órgãos responsáveis, contribuindo para que a ajuda chegue com agilidade a quem mais precisa.

Podem ser doados itens de necessidade imediata, como:  

– Água mineral  

– Alimentos não perecíveis  

– Itens de higiene pessoal, como shampoo, condicionador, sabonete, pasta e escova de dentes  

– Produtos de limpeza, como desinfetante, detergente, água sanitária e sacos de lixo 

– Roupas de cama e banho, como lençóis, cobertores 

– Roupas em bom estado de conservação  

Artigos Relacionados