O evento foi realizado e apoiado pela SME que participou sobre painel com foco no papel da liderança como agente voluntário técnico pelo desenvolvimento socioeconômico
A Sociedade Mineira de Engenheiros (SME) sediou, no dia 02 de dezembro, o painel “Liderança, Legado e Voluntariado: Engenharia a Serviço do Desenvolvimento Humano e Coletivo”, parte da programação oficial do Fórum Internacional do Voluntariado Transformador.
A mesa contou com a participação de Virginia Campos, presidente da SME, e Roosevelt Almado, engenheiro, mestre em Entomologia Florestal e coordenador da Comissão Técnica de Agronomia, Florestas e Economia Verde.
A abertura propôs a pergunta inspiradora de Edward Deci sobre propósito e autonomia:“Que condições precisamos criar para que mais profissionais encontrem dentro de si o desejo de agir pelo bem comum?”

A partir dessa provocação, a conversa explorou como a engenharia pública, a liderança técnica e o voluntariado especializado moldam o futuro das cidades. Por cerca de uma hora, representantes do Terceiro Setor, empresários, outros membros da SME e gestores públicos debateram como atuar de forma colaborativa e intersetorial.
Liderança ética e legado institucional
Como contribuição, Virginia Campos lembrou que 70% das metas dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) dependem de infraestrutura, ciência aplicada e conhecimento técnico, reforçando que engenheiras e engenheiros desempenham papel central no enfrentamento de desafios como eventos climáticos extremos, crise hídrica e desigualdades territoriais. Campos resgatou a história da SME e a responsabilidade pública das profissões técnicas:
“Liderança ética na engenharia é aquela que protege vidas, amplia direitos e fortalece a confiança social nas instituições. Nosso legado é técnico, mas também profundamente humano.”
Voluntariado técnico como instrumento de impacto estrutural
Roosevelt Almado compartilhou experiências da comissão que coordena, mostrando como o voluntariado qualificado gera resultados duradouros:
“Quando o voluntário doa conhecimento, a comunidade ganha autonomia. Nosso trabalho entrega soluções, mas entrega, sobretudo, capacidade. Isso transforma territórios” defendeu Almado.
O especialista apresentou exemplos em manejo de florestas urbanas, prevenção de riscos, segurança hídrica e economia verde, ilustrando como ações continuadas criam bases estruturais de resiliência comunitária.
Sobre a diferença entre assistencialismo e transformação, Roosevelt foi direto sobre como voluntariado transformador com o outro e não apenas pelo o outro
Integração técnica, humanização e futuro das cidades
No bloco final, houve participação do público mostrando que soluções climáticas só se sustentam quando aliadas à justiça social e à governança participativa.
Virginia reforçou a necessidade de interdisciplinaridade:
“Não existe solução puramente técnica para desafios que são profundamente humanos. É por isso que aproximar engenharia, ciências sociais e gestão pública é essencial.”
Já Roosevelt complementou com uma visão territorial integrada:
“A floresta urbana, o risco geológico ou o curso d’água são parte da vida das pessoas. Quando entendemos essa relação, a engenharia se torna mais eficiente e mais justa.”
De acordo com os participantes, o painel consolidou a SME como referência na promoção de uma engenharia ética, colaborativa e orientada ao desenvolvimento sustentável, ampliando sua presença no ecossistema de inovação social e voluntariado técnico.