
O vice-presidente da Sociedade Mineira de Engenheiros (SME) José Cláudio Nogueira Vieira estará na China entre os dias 24, 25 e 26 de abril. O engenheiro civil participa de agenda internacional na cidade de Shenzhen, província de Heilongjiang, como convidado do Harbin Institute of Technology, sob orientação da Chinese Society of Engineers (CSE), que organiza o fórum “Forças convergentes de desenvolvimento da Engenharia”, uma programação oficial do BRICS.
O BRICS é um bloco formado por onze países membros: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. Os objetivos do BRICS incluem fortalecer a cooperação econômica, política e social entre seus membros, bem como promover um aumento da influência dos países do Sul Global na governança internacional.
José Cláudio integra, como representante da SME, o conselho fiscal da Federação Brasileira de Associações de Engenheiros (FEBRAE). A posse ocorreu em 29 de dezembro de 2024, em Brasília. Vieira estará acompanhado do presidente da entidade nacional, Hideraldo Rodrigues Gomes, que estendeu a ele o convite à viagem ao Oriente.
Os brasileiros se juntarão a colegas chineses, russos, sul-africanos e de outros países para discutir temas como a construção e o desenvolvimento do ensino da Engenharia, padrões de competências e mobilidade desses profissionais. “Será uma oportunidade importante para estreitar os laços com colegas engenheiros, entender as dificuldades e potencialidades de cada região criando relações para eventos, atividades futuras, novos negócios e iniciativas em prol do desenvolvimento da engenharia mineira”.
Nova federação
A agenda deverá consolidar a criação da Federação das Instituições de Engenharia do BRICS, que abreviada teria a designação de FEIBRICS. Essa federação é uma organização social internacional, acadêmica e sem fins lucrativos, estabelecida voluntariamente por instituições de engenharia, institutos de pesquisa, instituições de ensino superior, empresas e outras entidades dos países do bloco. A princípio, a sede social ficará em Harbin, na mesma Província de Heilongjiang, onde ocorre a agenda com a FEBRAE.
A disposição é estabelecer uma plataforma para intercâmbio e cooperação na área de engenharia entre os países do BRICS, promover a coordenação e a interoperabilidade de padrões técnicos de engenharia, facilitar o desenvolvimento profissional e a realização de valor dos engenheiros, liderar a prática de engenharia e a inovação tecnológica, promover a realização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas e unir os valores compartilhados da humanidade.
José Cláudio informa que a FEIBRICS deverá formular conjuntamente a estrutura para os padrões de acreditação de programas de educação em engenharia e a estrutura para os padrões de avaliação de competências de engenheiros nos países membros. O estatuto também prevê o compartilhamento de recursos para desenvolvimento profissional contínuo para engenheiros nos países do BRICS, a fim de aprimorar sua competência profissional. “Estão previstas ainda conferências acadêmicas, além de atividades de cooperação e intercâmbio para fortalecer a engenharia. Temos muito a ganhar com essa aproximação”, avalia o vice-presidente da SME.

Visita técnica
No dia 26 de abril a comitiva com os brasileiros irá visitar a ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau. A estrutura levou oito anos para ser construída e se estende por aproximadamente 55 quilômetros. Conta com pontes, um túnel subaquático de quase sete quilômetros entre duas ilhas artificiais e estradas.
A ponte tem número superlativos e atraiu a atenção da delegação, que poderia escolher um dos três destinos oferecidos pelos anfitriões chineses: além da megaestrutura, a fábrica da BYD e uma grande companhia de telecomunicações. Com a decisão, José Cláudio e outros convidados irão se somar ao fluxo diário de 40 mil veículos por dia. São 420 mil toneladas de aço para suportar o trânsito e outros impactos naturais.
Potência comercial
No comércio internacional, os países do BRICS respondem por 24% do total das trocas mundiais. A corrente de comércio do Brasil com o BRICS totalizou USD 210 bilhões, representando 35% do total em 2024. BRICS foi destino de 121 bilhões de dólares das exportações brasileiras, representando 36% do total exportado pelo Brasil em 2024 e foi a origem de 88 bilhões de dólares das importações brasileiras, representando 34% do total importado pelo Brasil no mesmo ano.
Além dessa participação, o grupo busca melhorar a legitimidade, a equidade e a eficiência das instituições globais, como a ONU, o FMI, o Banco Mundial e a OMC. Visa ainda impulsionar o desenvolvimento socioeconômico sustentável e promover a inclusão social.
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