O Força Meninas é uma plataforma social de aprendizagem para jovens de 6 anos a 18 anos. Os programas desenvolvem habilidades socioemocionais e competências cruciais para que elas possam protagonizar as oportunidades do futuro. Ali também são publicados estudos e pesquisas que apontam caminhos para a construção de políticas públicas direcionadas a esse público. Uma delas aponta que 60% das meninas se sentem desmotivadas a seguir carreiras em STEM, e 45% acreditam que essas profissões são predominantemente masculinas.
Quem se identifica e recebe estímulo, rompe barreiras e constrói uma trajetória que inspira gerações. É o caso da engenheira de minas Maria José Gazzi Salum, membro do Conselho Deliberativo da SME. Em 2024, ela tornou-se a primeira mulher a receber a outorga de Professora Emérita da Escola de Engenharia da UFMG, em 113 anos de história da instituição. O título foi concedido no dia 16 de dezembro, com a presença de diversas autoridades. “Percebi no Ensino Médio que gostava de Matemática, Física e Química. A minha escolha pela Engenharia de Minas veio também pela identificação que tenho com a Geografia”, explica a docente, que se aposentou em 2005 e atua como professora voluntária do Departamento de Engenharia de Minas da UFMG.
No discurso de outorga, o diretor da Faculdade de Engenharia da UFMG, Cícero Murta Diniz Starling, destacou a importância da professora Maria José na valorização do ensino de graduação, deixando como legado programas importantes na instituição, como o ENG200, Engenharia Recebe, Núcleo de Apoio Pedagógico e Núcleo de Acolhimento. “Uma educadora que inspirou e formou gerações de engenheiros e engenheiras, transmitindo não apenas conhecimento técnico, mas valores de ética, compromisso com o meio ambiente e responsabilidade social”, disse Starling.

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Histórias como a da professora Maria José precisam ganhar repercussão, e chegar àquelas que buscam incentivo e oportunidades. A plataforma Força Meninas aponta que nas escolas, muitas vezes, as meninas não são estimuladas a explorar as possibilidades oferecidas pela inovação e a tecnologia. Assim, crescem em um ambiente onde as ciências são vistas como um campo masculino. São, na verdade, do campo do conhecimento.
Com doutorado em Tecnologia Mineral, artigos publicados em congressos e periódicos, nacionais e internacionais, Maria José ocupou cargos importantes, como diretora de Desenvolvimento Sustentável na Mineração da Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, do Ministério de Minas e Energia e representante titular da pasta no Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA). “As meninas precisam perceber que terão boas oportunidades de emprego ou serem empreendedoras. Há uma relação importante entre as áreas de STEM e o universo empreendedor, onde as novas gerações estão mais conectadas”, avalia a professora.
De fato, quem entra no mundo da Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática ganha mais e tem chances reais de mudar de vida. Porque as oportunidades são maiores e melhores nessas áreas. As profissões de alta qualificação, principalmente nas áreas de STEM, são as que mais crescerão. De acordo com a plataforma, se o Brasil aumentar a participação das mulheres no mercado de trabalho dos atuais 43,5% para 49% até 2028, será possível constatar um aumento de até R$ 2 trilhões no Produto Interno Bruto (PIB).
Para a professora, que hoje atua na área de consultoria e gestão de projetos, é urgente que mais mulheres assumam cargos de liderança nas áreas de ciência e tecnologia. “A presença feminina em áreas de decisão inspira novas conquistas. E dá às futuras profissionais o entendimento da possibilidade de carreira”, ensina Maria José Gazzi Salum.