
A coordenadora da Comissão Técnica de Recursos Hídricos e Saneamento da SME, Patrícia Boson, representou a SME no Seminário Internacional Águas para o Futuro 2025. O evento, realizado entre os dias 3 e 5 de junho no Teatro Unimed, reuniu delegações de 28 países, autoridades públicas, pesquisadores, representantes de universidades, centros de pesquisa e organizações internacionais.
Engenheira civil e membro do Conselho Nacional do Meio Ambiente, o Conama, Patrícia fez um convite ao público ao abrir a palestra Água e a COP 30. “Vamos molhar a conferência, levar a água como tema principal para os acordos, investimentos e decisões dessa agenda global”. A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, será realizada em Belém, no estado do Pará, de 10 a 21 de novembro deste ano.
A provocação faz sentido. O tema central do seminário, em BH, foi Preparatório para a COP 30 – Cidades Resilientes no Enfrentamento das Mudanças Climáticas”, e integrou a programação da Semana do Meio Ambiente. Patrícia questionou o fato, recorrente, da agenda da mitigação ser o modelo mental dominante que “aprisiona o debate acerca das mudanças climáticas. Ou seja, preferencialmente agir apenas para a diminuição dos gases do efeito estufa”, disse.
Consequentemente, na defesa da mitigação, se impõe um conjunto de ações para a transição energética, em substituição dos combustíveis fósseis. Hoje, 80% das emissões globais saem de 57 empresas que estão em 34 países. O Brasil não integra essa lista. “Será que todo nosso esforço em território nacional vai mesmo dar a resposta necessária para a redução das emissões globais”, questionou, sem eximir as autoridades sobre o controle do desmatamento ilegal e lembrar que a grande parte da matriz elétrica brasileira é hidráulica, com 58,9% do total.
Assim, reforçou que ao “molhar a COP” o Brasil poderia internalizar no que realmente precisa avaliar, investir e concentrar esforços. O que, para a especialista, seria um novo olhar, nas agendas de resiliência e adaptação, porque todos os impactos advindos de mudanças climáticas se traduzem em duas esferas: água demais ou água de menos.
Em 2022, 87% dos brasileiros residia em áreas urbanas. Até 2050, mais de 70% da população mundial será urbana. “Então, precisamos fazer gestões eficientes onde estão e estarão as pessoas. Vejam a tragédia vivida no Rio Grande do Sul, com 184 mortos no desastre de 2024 e R$ 87 bilhões em perdas”, disse.
Patrícia apresentou outros dados importantes, nesse contexto. 67,6% dos municípios não têm mapeamento de áreas de risco de inundação. E 54,7% não dispõem de sistema de águas pluviais, drenagem urbana como bocas de lobo e canaletas para escoamento.

Realidade Mineira
A palestrante também levou ao público do seminário exemplos do impacto da escassez de água. Em 2021, Minas Gerais teve, no período seco, mais de 100 municípios em situação de calamidade pública por falta de água. Em 2024, 46 municípios mineiros recorreram o Governo Federal por emergência climática: 22 por causa da seca. “Eventos climáticos extremos causaram prejuízos de R$ 4,2 bilhões em 10 anos em Minas. As chuvas foram os eventos mais impactantes no estado. Água demais, ou de menos”.
A SME apoiou o evento em BH e levou conhecimento e reflexão ao debate por entender à necessidade de se articular ciência, cooperação internacional e políticas públicas voltadas para a segurança hídrica e sustentabilidade dos territórios urbanos. Nesse caminho, Patrícia Boson questiona decisões em âmbito nacional e regional. “O governo federal cortou mais R$ 40 milhões da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e R$ 22 milhões dos Comitês de Bacias Hidrográficas. Aqui em MG, o fundo para as CBHs sofreu um corte orçamentário de 94,2%”, alertou.
Por fim, a coordenadora da Comissão Técnica de Recursos Hídricos e Saneamento da SME reforçou o valor do conhecimento e da tecnologia aplicada para avanços reais. “A engenharia surgiu da necessidade de proteção das intempéries e busca por alimentos do homo sapiens. Se a engenharia moderna se desenvolveu pautada no bem-estar das pessoas, hoje, a engenharia contemporânea se desenvolve na busca de mesclar, cada vez mais, as necessidades do ser humano e do planeta”, ensinou Patrícia Boson, sob aplausos.

Fotos: macalecordeiro / aguaparaofuturo.com