Obras que interferem o trânsito

Luiz Edmundo França Ribeiro é Engenheiro Civil e Consultor em Construção Pesada com ampla experiência em Projetos, Gerenciamento, Planejamento e Estimativa de Custos

Em razão do expressivo aumento do número de veículos em circulação nas últimas décadas, as obras e intervenções necessárias nas já congestionadas vias urbanas têm sido amplamente debatidas em todo o mundo, buscando soluções que minimizem interferências no tráfego, reduzam impactos econômicos e aumentem a segurança da população.

Nesse contexto, soluções em engenharia como interseções em desnível, túneis e viadutos executados por métodos construtivos que preservam o fluxo viário, como balanços sucessivos e estruturas estaiadas,  têm se mostrado eficazes. Um exemplo relevante são os viadutos implantados sobre a Av. Pedro I, executados pelo método de balanços sucessivos, com interferência mínima no trânsito durante sua construção.

Entretanto, algumas soluções previstas para a Região Metropolitana de Belo Horizonte parecem não ter considerado, de forma adequada, esse aspecto essencial para a população. Entre elas, destacam-se a Trincheira da Av. Cristiano Machado e o denominado Viaduto “Ferradura”, previsto sobre a BR-356, nas proximidades da confluência com a MG-30 (acesso a Nova Lima).

Segundo informações preliminares sobre o projeto a ser licitado, a execução desse viaduto poderá demandar a interdição de pelo menos uma faixa de trânsito da BR-356 por aproximadamente quatro meses, em função das etapas de fundação, construção de pilares, escoramentos, concretagem das lajes e respectivos períodos de cura.

Estimativas iniciais apontam prejuízo da ordem de R$ 80 milhões, decorrente da perda de produtividade associada à redução da velocidade média e aos congestionamentos provocados durante esse período. Diante desse impacto, entende-se necessária a reavaliação do projeto atualmente proposto.

Além disso, a construção de um novo viaduto pode ser dispensável, considerando a existência do viaduto da antiga via férrea, atualmente subutilizado, que poderia ser aproveitado como solução alternativa. Mediante alargamento para implantação de uma pista e acostamento, configuração aparentemente suficiente para atender ao fluxo em direção ao Rio de Janeiro e ao Anel Rodoviário seria possível utilizar essa estrutura existente.

Conforme medições realizadas em 2017 (a serem confirmadas), apenas cerca de 15% do tráfego proveniente da MG-30, oriundo de Nova Lima, segue nessa direção. Essa alternativa poderia atender à demanda com menor custo e, sobretudo, sem interferências no tráfego da BR-356, uma vez que o alargamento do viaduto poderia ser executado sobre a estrutura existente.

Complementarmente, essa solução exigiria apenas a pavimentação de aproximadamente 600 metros de ligação entre a ponte sobre a MG-30 e o viaduto sobre a BR-356.

“Diante do exposto, propõe-se a análise técnica comparativa entre as soluções, considerando custos, impactos operacionais, prazos de execução e interferências no trânsito, com vistas à adoção da alternativa mais eficiente para a coletividade.”

— Luiz Edmundo França Ribeiro, Engenheiro Civil

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