SME celebra o Réveillon Hidrológico de 2025 e dos anos que virão

Há 30 anos, em Minas Gerais, jovens engenheiros dedicados a Hidrologia, Hidrogeologia e afins, criaram uma festa para marcar a entrada do período úmido. Membros da Associação Brasileira de Recursos Hídricos, em boa parte, eles queriam celebrar a chegada das chuvas. No Sudeste do país, a data é definida pelo dia 1º de outubro. A festa começa na noite anterior, como na virada do ano.

Os especialistas chamam de Ano Hidrológico. “Por que não fazer desse dia uma marca de encontro e recomeços”, pensaram eles. Foi assim que nasceu o Réveillon Hidrológico.

De fato, esse é um bom motivo para reunir colegas. Uma festa, com a oportunidade de troca e aperfeiçoamento de técnicas, inovações e, por que não, oportunidades para novos trabalhos.

Nessas três décadas, a festa ficou na promessa. Não por vontade, mas por imposição do acaso: desencontros, desencantos… E até uma pandemia.

Se a data merece tamanho crédito, há grandeza à altura.

Altivez, quem sabe, de uma quase centenária. 

Decidida a não haver mais interrupções, a SME assumiu o Réveillon Hidrológico em seu calendário oficial. E foi acolhida pelos precursores e outros tantos amantes da força que vem do céu.

E foi assim que mais de 200 participantes, a maioria jovens profissionais, comemoraram a chegada de mais um período chuvoso.

Os registros consagram essa certeza de novos anos que virão.

Com afeto e conhecimento. E um brinde à vida que se renova em ciclos.

Discurso de abertura

Confira como foi o discurso de abertura da celebração, feito por Virgínia Campos, presidente da Sociedade Mineira de Engenheiros

Boa noite a todas e a todos,

É com grande alegria e senso de responsabilidade que a Sociedade Mineira de Engenheiros recebe cada um de vocês para celebrar os 30 anos do Réveillon Hidrológico. Este encontro nasceu como um marco simbólico do início do período chuvoso em Minas Gerais e consolidou-se como espaço de diálogo, ciência e integração entre técnicos, gestores públicos, empresas e comunidade acadêmica

O simbolismo da palavra “réveillon”, que significa despertar, recomeço, aqui ganha uma dimensão ainda maior. Ao celebrarmos a chegada das águas, reafirmamos nosso compromisso com a vida.

Sabemos que estiagens e inundações, recorrentes em nosso território, representam riscos que vão muito além de perdas materiais: são eventos que impactam comunidades inteiras e, infelizmente, muitas vezes com perdas humanas.

Este ano, o Réveillon Hidrológico marca também um passo histórico: o lançamento do Observatório Atuação. Este projeto, fruto da união da SME com parceiros estratégicos a CEMIG, o IBRAM, a Associação Mineira de Municípios, o Serviço Geológico do Brasil e Defesa Civil, representa um instrumento de inteligência coletiva e técnica para fortalecer a resiliência das nossas cidades diante das mudanças climáticas e das inundações urbanas.

É a Engenharia a serviço do cidadão!

O Projeto Atuação nasce como resposta concreta aos desafios que Minas Gerais e o Brasil enfrentam todos os anos diante dos eventos hidrometeorológicos extremos: estiagens severas e enchentes devastadoras. Esses fenômenos, embora previsíveis, continuam causando perdas de vidas, destruição de infraestruturas e sérios prejuízos sociais e econômicos.

Conduzido pela Comissão Técnica de Recursos Hídricos e Saneamento da Sociedade Mineira de Engenheiros (SME), coordenada pela engenheira Patrícia Boson, em parceria com a CEMIG, IBRAM, Serviço Geológico do Brasil (SGB), Defesa Civil e a Associação Mineira de Municípios (AMM), o projeto consolida um espaço inovador de integração de conhecimento técnico, gestão pública e participação comunitária.

O que é o Observatório Atuação?

Trata-se de uma plataforma virtual (web e aplicativo) dedicada à prevenção, mitigação e resposta a inundações e cheias urbanas. Seu propósito é traduzir informações técnicas em ações práticas, tornando acessíveis dados, mapas de risco e protocolos de atuação para gestores públicos, lideranças comunitárias e a população em geral

Os principais objetivos são preservar vidas: capacitando comunidades vulneráveis para reagir de forma segura e eficaz em situações de emergência; apoiar gestores públicos: fornecendo ferramentas para acessar recursos de prevenção e recuperação, elaborar planos diretores de drenagem e planejar ações de mitigação; educar e engajar: formar brigadas locais contra alagamentos, promover educação ambiental e fortalecer a percepção de risco; integrar sistemas: articular o uso da plataforma PROX, que já reúne dados de barragens, áreas de risco e planos de contingência, como ferramenta oficial de gestão de riscos

Como funciona: o Projeto Atuação se organiza em fases: desenvolvimento: levantamento das ações já existentes, integração de dados, capacitação de equipes locais e desenho do Observatório e implementação, inicialmente com o projeto piloto, no município de Barbacena, com capacitação de gestores e comunidades, desenvolvimento de planos de drenagem, instalação de sistemas de monitoramento e operação plena da plataforma digital.

Impacto esperado: O Observatório Atuação pretende transformar o conhecimento acumulado pela engenharia e pela ciência em soluções práticas que salvam vidas, reduzem danos materiais e preparam nossas cidades para enfrentar os impactos das mudanças climáticas. Mais do que uma ferramenta técnica, é um projeto de cidadania, resiliência e esperança.

Com esse projeto, estamos aqui para reafirmar que conhecimento, cooperação e ação integrada salvam vidas. E que a engenharia, quando aliada à ciência, à gestão pública e à participação da sociedade, é capaz de transformar riscos em oportunidades de prevenção, mitigação e cuidado.

Desejo que esta noite seja não apenas de confraternização, mas sobretudo de renovação do nosso compromisso: fazer da preservação da vida o eixo central de nossas práticas e projetos.

Muito obrigada e sejam todos bem-vindos ao Réveillon Hidrológico 2025!

Confira o álbum de fotos do evento

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