SME completa 95 anos reafirmando seu papel estratégico no desenvolvimento de Minas e do Brasil

Com trajetória marcada pela defesa da engenharia ética, pela contribuição ao desenvolvimento socioeconômico, pelo compromisso permanente com educação, cultura, inovação e políticas públicas instituição completa nove décadas e meia com estatuto atualizado para o centenário


Ao completar 95 anos em 4 de fevereiro de 2026, a Sociedade Mineira de Engenheiros (SME) reafirma sua relevância como uma das mais antigas e respeitadas entidades da engenharia brasileira. Criada antes mesmo da instituição do Sistema Confea/Crea, a SME construiu uma história própria, pautada pela produção de conhecimento técnico, pela articulação com a sociedade e pelo compromisso com soluções estruturantes para Minas Gerais e para o país.

Ao longo de quase um século, a entidade atuou em momentos decisivos da história nacional, acompanhou transformações econômicas e tecnológicas e se manteve fiel à sua missão estatutária de integrar, desenvolver e valorizar a Engenharia, a Arquitetura e a Agronomia, sem fins econômicos ou vinculação político-partidária.

Linha do tempo | 95 anos da Sociedade Mineira de Engenheiros

Década de 1930 – A fundação e a luta pela regulamentação

1931–1933
A SME nasce com o objetivo de reunir engenheiros para propor soluções à sociedade e fortalecer a profissão. Logo nos primeiros anos, participa ativamente das discussões que resultaram no Decreto nº 23.569/1933, que regulamentou a profissão de engenheiro no Brasil.

“A SME é lócus estratégico na luta para que as engenharias recuperem seu espaço político e sejam respeitadas como detentoras do conhecimento técnico e propulsoras do desenvolvimento com sustentabilidade”, segundo Patrícia Helena Gambogi Boson, membro do conselho deliberativo da SME.

Década de 1940 – Engenharia para o desenvolvimento nacional

1938–1941
Uma comissão de estudos criada pela SME elabora um relatório estratégico para o desenvolvimento de Minas Gerais e do Brasil, recomendando a implantação de uma usina siderúrgica. Poucos anos depois, o governo federal cria a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).

“A SME é base para o fortalecimento técnico e ético da engenharia de Minas Gerais, servindo o estado, o país e a sociedade”, segundo Carlos Augusto Brandão, Presidente do Conselho Deliberativo da SME.

Década de 1950 – Reconhecimento como entidade de interesse público

1955
A SME é reconhecida como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público pela Lei Estadual nº 1.313, consolidando institucionalmente sua relevância para Minas Gerais.

“A SME representa para mim a possibilidade de discutir em público, nas várias comissões que congregam os engenheiros de várias origens e de várias ocasiões, as necessidades do nosso mundo”, segundo Elzo Jorge Nassaralla, membro do Conselho Deliberativo da SME e Engenheiro do Ano 2025.

Década de 1970 – Cultura, educação e inclusão

1975–1978
A entidade amplia sua atuação cultural e educacional, fortalece a participação feminina em suas atividades e inaugura a atual sede social, na Rua Timbiras, em Belo Horizonte.

“A SME é uma ação coletiva pela valorização da Engenharia e de seus profissionais como agentes propulsores do desenvolvimento do Estado e do País”, segundo Sérgio França Leão, membro do Conselho Deliberativo da SME.

Década de 1980 – Valorização profissional e produção cultural

1981–1989
Criação da Medalha Engenheiro do Ano e fortalecimento do Conselho de Defesa Profissional. Em 1989, a SME publica a 1ª Coletânea Literária, revelando engenheiros também como produtores de arte e pensamento crítico.

“Sua atuação busca fortalecer a integração entre profissionais, estudantes, instituições da sociedade, estimulando a inovação, a ética e a excelência técnica, por meio de eventos, projetos, parcerias e ações educativas”, segundo Juvenil Félix, homenageado Engenheiro do Ano 2024.

Década de 1990 – Incentivo à ciência, tecnologia e juventude

1992–1999
Criação do Prêmio SME de Ciência e Tecnologia, que mobilizou milhares de estudantes de Engenharia, Arquitetura e Agronomia em todo o estado, além da inauguração do Espaço Cultural da SME.

“A SME representa para mim um espaço de discussão das engenharias e suas inovações, de representação em Conselho Profissional e Comissão Permanente, de discussões de políticas públicas e formulação de programas de governo, de defesa profissional, de divulgação de novas tecnologias, de valorização profissional e de premiações”, segundo Maeli Estrela Borges, homenageada do Prêmio Maura Menin.

Década de 2000 – Engenharia e políticas públicas

2006–2007
A SME intensifica sua atuação em políticas públicas, contribuindo com propostas técnicas para grandes obras e debatendo temas como infraestrutura, logística e planejamento urbano.

“A SME é para Minas uma tribuna livre a serviço do progresso. Para a Engenharia, é uma alavanca que impulsiona os avanços técnicos e, para mim, simplesmente a melhor entidade. É um caso de respeito e amor”, segundo Aloisio Vasconcelos, Ex-Presidente da SME.

Década de 2010 – Sustentabilidade e gestão dos territórios

2012–2019
Eventos e seminários abordam recursos hídricos, saneamento, drenagem urbana e mobilidade. A engenharia passa a ser tratada de forma integrada aos desafios ambientais e urbanos.

“Uma das Instituições mais representativas de importância inquestionável para a nossa engenharia nacional, a SME atinge, neste ano, uma existência profícua, atuando, sempre, em prol da valorização profissional”, segundo Prof. Cristovam Paes de Oliveira, Presidente Executivo da Fundação Gorceix.

Década de 2020 – Engenharia de baixo carbono e futuro

2021–2025
Criação de novas comissões técnicas, fortalecendo discussões sobre uma engenharia de baixo carbono, valorização da mulher engenheira e alinhamento à Agenda 2030 da ONU. A SME amplia parcerias e se posiciona frente aos desafios da transição energética e das cidades inteligentes.

“Celebrar os 95 anos da SME é reconhecer a força de uma entidade que atravessa gerações mantendo vivo o compromisso com o conhecimento técnico, a ética e o desenvolvimento de Minas Gerais”, destaca Marcos Torres Gervásio, Presidente do Crea-MG.

Uma história que aponta para o futuro

Quase centenária, a SME nunca esteve tão contemporânea. Além da promoção de debates qualificados, formando profissionais, articulando parcerias e contribuindo para políticas públicas, a instituição planejou um calendário especial  que  marca o primeiro exercício prático de alinhamento da atuação da SME às diretrizes do Planejamento Estratégico que embasam a proposta de modernização do Estatuto Social, cuja apreciação pela Assembleia Geral está prevista para abril de 2026. 

De caráter dinâmico, a programação ultrapassa o conceito de uma agenda anual e inaugura uma nova orientação institucional, fundamentada em planejamento, governança estratégica e na educação como eixo transversal. 

Para Virgínia Campos, presidente da instituição, esta é uma oportunidade para que todos os associados e defensores da engenharia participem ativamente dessa construção coletiva. 

“O primeiro passo está lançado, e a participação de todos é fundamental para transformar esse processo em um movimento coletivo, por meio de contribuições, ideias e conteúdos que reforcem o alinhamento institucional e projetem o futuro de uma entidade que há gerações integra a história de Minas Gerais.”

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