A Sociedade Mineira de Engenheiros (SME), instituição do Terceiro Setor, defendeu a ação colaborativa entre as ciências exatas, humanas e sociais como ativo para a economia contemporânea. Durante a mediação do painel “Momento Futuro” no seminário Gestão Estratégica de Pessoas na Construção Civil | Pesada, realizado no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (CREA-MG, a presidente da Sociedade Mineira de Engenheiros, Virgínia Campos, destacou que o desenvolvimento do setor passa pela aliança dessas áreas.
O evento, Aurion Hub, dentro da agenda do Aurion Business Connection 2026, reuniu conselheiros, executivos, gestores e especialistas para discutir os desafios presentes e futuros do setor sob a ótica estratégica da gestão de pessoas, que na edição de fevereiro abordou a construção civil.
Na ocasião, foram realizadas quatro mesas temáticas — do diagnóstico do cenário atual à definição do papel estratégico da área de Gestão de Pessoas na sustentação da estratégia organizacional. A SME participou da mesa 02 que consolidou discussões mais profundas. Ao abrir os trabalhos, Virginia Campos provocou o público com uma inversão de paradigma:
“Onde tem pessoas, tem soluções — ao contrário do que muitos dizem, que onde tem pessoas, tem problemas.” A frase sintetizou o espírito do debate: o futuro da construção civil pesada depende da maturidade com que as organizações integram estratégia, tecnologia e capital humano.
Cultura, governança e maturidade organizacional
A conselheira e CFO Mônica Simão destacou que liderança não significa centralizar decisões:“Líder não é quem resolve tudo. É quem constrói maturidade para que a empresa avance.”
Ela enfatizou a necessidade de mudança cultural no setor, com fortalecimento das práticas de backoffice na Gestão de Pessoas e consolidação de cinco pilares fundamentais: integridade, transparência, equidade, responsabilidade coletiva e sustentabilidade.
Segundo Mônica, esses princípios são estruturantes para a competitividade no cenário contemporâneo.
Integração entre pessoas e tecnologia
O professor Josiel Gomes, da PUC Minas e do CEFET-MG, reforçou que empresas maduras são aquelas que conseguem integrar pessoas e tecnologias com eficiência:
“Empresas maduras integram pessoas e tecnologias, cumprem prazos e respeitam orçamentos.”
Para ele, o avanço do setor exige investimento simultâneo em formação técnica sólida e desenvolvimento de soft skills, condição essencial para garantir execução estratégica em ambientes complexos.
Dados para construir o futuro
Matheus Machado, gestor de RH da MRV&CO, trouxe a dimensão analítica para o debate:
“Dados servem para construir o futuro, não para manter culturas e hábitos ultrapassados.”
Ele destacou que desenvolvimento humano é complementar ao conhecimento técnico e que a integração entre gestão e desenvolvimento de pessoas representa ganho real de eficiência, resultado e lucratividade.
Pessoas como ativo estratégico
Encerrando as contribuições do painel, Isabella Almeida, gerente de Pessoas e Cultura do Cimento Nacional, reforçou que a área de pessoas deve ser compreendida como ativo do negócio.
Ela observou que a tecnologia ocupa hoje o centro dos conflitos intergeracionais e que o ambiente corporativo ultrapassa os limites físicos das empresas, especialmente com a consolidação de modelos híbridos e remotos.
O desafio, segundo ela, é harmonizar inovação, cultura organizacional e integração de gerações.
Para Virgínia Campos, o seminário demonstrou que o futuro dos negócios é multisetorial e deve ser fortalecido com trabalho colaborativo e complementar entre as áreas do conhecimento:
“ Está claro para mim que as ciências devem andar juntas pois somam força pela diferença. Vejo que o mercado não será definido apenas por projetos, obras e contratos, mas pela capacidade das organizações de transformar cultura, integrar pessoas e tecnologia e posicionar a Gestão de Pessoas como eixo estruturante da estratégia empresarial”.
Confira fotos do evento:






