SME e Dom Helder lançam Caderno Técnico-Científico

A Sociedade Mineira de Engenheiros, em parceria com a Escola Superior Dom Helder, lançou no Seminário nacional pela retomada das obras paralisadas, em Belo Horizonte, a primeira edição do Caderno Técnico-Científico da Revista Mineira de Engenharia.

A obra coletiva é fruto de um esforço iniciado durante a realização da Rodada Preparatória do seminário Nacional pela Retomada de Obras Paralisadas, ocorrido em agosto de 2024. Seus autores — participantes e conferencistas do evento — apresentaram aos demais convidados ideias e percepções voltadas para impulsionar o debate sobre um tema fundamental para a retomada do crescimento, a preservação dos recursos públicos e a realização do interesse nacional: a retomada de obras paralisadas.

O caderno conta com sete artigos técnico-científicos e aborda temas de grande relevância, como a inserção, pela Lei 14.133/21 (Nova Lei de Licitações e Contratos), dos chamados Contratos de Eficiência (contratos de performance), do BIM (Building Information Modelling) e do DRB (Dispute Resolution Boards). Além disso, discute a necessidade de gerenciamento e alocação de riscos, inclusive nas obras residenciais, comerciais e de loteamentos. Destaca-se, ainda, a importância do desenvolvimento de uma engenharia sustentável, voltada para a garantia da qualidade de vida das futuras gerações, mediante a reutilização de águas residuais.

Esforço conjunto

Organizado pelos pró-reitores Caio Augusto Souza Lara e José Antônio de Sousa Neto, juntamente com Adalberto Carvalho de Rezende e Anna Carla Duarte Chrispim, o Caderno Técnico-Científico é fruto de um esforço conjunto entre as duas instituições. A publicação visa promover o debate sobre melhores práticas, métodos e tecnologias aplicadas à engenharia.

Em nota, na abertura do caderno, os organizadores apontam que a insuficiência na gestão da aplicação dos conhecimentos na área das engenharias precisa ser superada tanto no setor público quanto no privado.

De acordo com o texto, trata-se de um problema complexo que exige a participação de todos os atores envolvidos no processo, como profissionais e empresas da área, gestores públicos e privados, órgãos de controle interno e externo, associações, instituições de ensino e poderes constituídos das três esferas federativas. “É necessário, portanto, criar conexões entre as situações atuais e cenários ideais; considerar o problema como um todo, e não apenas suas partes isoladas; avaliar criticamente o conhecimento científico para que ele seja aplicável e, de sua aplicação, possam ser identificados benefícios para a sociedade em geral”, assinalam os autores.

A nota reforça ainda que é preciso “evitar a repetição de práticas não refletidas e não confrontadas com o conhecimento técnico e as novas metodologias; buscar soluções inovadoras e comprometidas com o desenvolvimento socioeconômico, cultural e ambiental; e conceber as obras e os serviços de engenharia como objetos de dimensão transdisciplinar que exigem o desenvolvimento de líderes e equipes capazes de acolher e dialogar com respeito e empatia com pessoas de diferentes áreas, origens, saberes e habilidades — e, sobretudo, que estejam voltados para o aprendizado contínuo”.

Conselho científico

O conselho científico do Caderno é presidido pela Professora Doutora Engenheira Maria José Gazzi Salum.  Membro do Conselho Deliberativo da SME, ela assina o editorial da publicação e ressalta a aliança entre as duas instituições parceiras “Ao lançarem este Caderno Técnico-Científico, a SME e o Centro Universitário Dom Helder cumprem com seus papéis de desenvolver e valorizar as engenharias por meio do aprimoramento técnico-científico, sociocultural e econômico de seus profissionais”.

De acordo com a docente da UFMG, as causas de tamanho desencontro entre os interesses públicos, privados e da sociedade são inúmeras e, a despeito das políticas de incentivo à parceria público-privada (PPP), dotadas de arcabouços legais que estabelecem seus limites regulatórios, como as Leis 11.079, de 2004, e 14.133, de 2021, o problema ainda não está equacionado. “É nesse cenário que se insere o caderno: o de apresentar soluções para problemas, construindo e inovando com competência e técnica aprimoradas — o que sintetiza a essência da ciência e das engenharias”, descreve Maria José, primeira mulher a receber a outorga de Professora Emérita da Escola de Engenharia da UFMG

Leia o Caderno Técnico-Científico da Revista Mineira de Engenharia Cad_tecnico_2025

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