115 anos de história: Escola de Engenharia da UFMG celebra mais de um século formando os construtores do Brasil

Instituição reuniu comunidade acadêmica, ex-alunos e parceiros em solenidade especial no Campus Pampulha; Sociedade Mineira de Engenharia faz parte dessa trajetória desde o princípio

Em maio deste ano, a Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) completou 115 anos de existência. O aniversário celebra mais de um século de dedicação à formação de engenheiros que ajudaram a construir Minas Gerais e o Brasil, numa história que começa no mesmo lugar onde nasceu a engenharia organizada no estado mineiro. A cerimônia oficial foi realizada no Auditório da Escola de Engenharia da UFMG, no Campus Pampulha, em Belo Horizonte. O evento também foi transmitido ao vivo pelo YouTube.

Uma fundação nascida num salão histórico

A história começa numa noite de quase verão. No dia 21 de maio de 1911, às 19h30, um grupo de ilustres intelectuais e profissionais se reuniu no Salão Nobre da Sociedade Mineira de Agricultura, na Avenida Afonso Pena com a Rua Tupis, em Belo Horizonte. O encontro tinha um propósito ambicioso: fundar um estabelecimento de ensino superior voltado à engenharia, que seria chamado, em seus primeiros anos, de Escola Livre de Engenharia.

A reunião foi presidida pelo então Secretário da Agricultura do Estado, José Gonçalves de Souza, que se tornaria o primeiro diretor da instituição. A ligação com a Sociedade Mineira de Engenheiros – SME, que décadas depois se consolidou como entidade representativa dos profissionais da área, já estava inscrita na própria certidão de nascimento da escola. Foram engenheiros e intelectuais mineiros os responsáveis por plantar essa semente.

A trajetória da Escola de Engenharia é também a história de três endereços e de uma instituição que cresceu junto com a cidade. As primeiras aulas aconteceram no dia 8 de abril de 1912, no edifício localizado na então Avenida do Comércio, hoje Avenida Santos Dumont, 174, no coração do hipercentro de BH. O prédio havia sido construído originalmente para ser o Hotel Antunes e depois funcionou como Quartel da 2ª Brigada da Polícia de Minas Gerais. Mais tarde batizado de Edifício Alcindo da Silva Vieira, em homenagem a um dos diretores da Escola e Reitor da UFMG, o imóvel abriga hoje o Centro Cultural UFMG.

Em 1952, a Congregação da Escola aprovou o projeto de uma nova sede. Sete anos depois, em 1959, foi inaugurado o Edifício Arthur Guimarães, na Rua Espírito Santo, 35, batizado em homenagem a um dos fundadores da Escola de Engenharia. Curiosamente, a Escola se deslocou apenas um quarteirão da primeira casa. O complexo foi ampliado posteriormente com a construção do Prédio Álvaro da Silveira, na Avenida do Contorno, 842.

A terceira e atual sede veio em 11 de março de 2010, quando a UFMG inaugurou o complexo do Campus Pampulha dentro da proposta do Projeto Campus 2000. O novo complexo, formado por 12 prédios e com área aproximada de 65 mil metros quadrados, tornou a Escola de Engenharia da UFMG uma das maiores do país. Com quatro novos cursos criados, a instituição passou a oferecer 1.010 vagas anuais.

Uma escola do tamanho do Brasil

A Escola de Engenharia da UFMG se tornou um dos maiores complexos de ensino e pesquisa de engenharia da América Latina. Os números impressionam: são 13 departamentos acadêmicos, cerca de 300 professores, 140 técnico-administrativos em educação, mais de 200 laboratórios e mais de uma centena de grupos de pesquisa altamente qualificados. A instituição oferece 13 cursos de graduação, sendo 12 no período diurno e 3 no noturno, com 555 vagas por semestre, além de 11 programas de pós-graduação em nível de mestrado e doutorado. A comunidade discente soma aproximadamente 5.700 alunos de graduação e 1.000 de pós-graduação.

Para a celebração dos 115 anos, o Diretor Professor Cícero Murta Diniz Starling e o Vice-Diretor Professor Henrique Resende Martins relembraram o espírito que animou a fundação da escola e reafirmaram o compromisso com o futuro. Em mensagem à comunidade, destacaram que a Escola de Engenharia “é um belo exemplo de sucesso em sua missão de ser um centro de excelência em ensino, pesquisa e extensão, gerando oportunidades para que cada membro da comunidade acadêmica cresça como pessoa e cidadão, retribuindo à sociedade tudo o que foi aqui investido nesta Escola pública, gratuita e de qualidade.”

A trajetória da Escola também se entrelaça com histórias familiares que atravessam gerações da engenharia mineira. O vice-presidente da SME, José Cláudio Nogueira Vieira, lembra que a engenharia faz parte da própria estrutura familiar. Entre as referências, destaca o tio Paulo José de Lima Vieira, que presidiu a Sociedade Mineira de Engenheiros e se formou na UFMG, além do avô, o professor Alcindo da Silva Vieira, figura central na história da Escola de Engenharia, que também foi diretor da instituição e reitor da UFMG em um período marcado pela implantação do campus da Pampulha.

“Nós temos que levar a SME e a UFMG adiante, lembrando os atributos dessas pessoas mais antigas: a honestidade, o empenho, a honradez e a palavra dessas pessoas, que era uma só. Pessoas que conduzam os engenheiros para um destino onde a palavra tenha valor, onde a honra prevaleça sobre a ganância e onde as virtudes possam ser mantidas e prosperar. E isso é o que a gente quer para o futuro”, ressalta o vice-presidente.

Uma data também de gratidão

A solenidade do dia 23 de maio foi também um momento de reconhecimento e afeto. Foram homenageados egressos que celebram jubileus históricos: os formandos de 1966, no Jubileu de Diamante com 60 anos de formatura; os de 1976, no Jubileu de Ouro com 50 anos; e os de 2001, no Jubileu de Prata com 25 anos. A diretoria lembrou que esses profissionais “fazem parte da Escola, ajudaram a construir a história dela, e estão escrevendo mais uma página dela.”

A SME nessa história

A ligação entre a Escola de Engenharia da UFMG e a SME não é circunstancial: ela é constitutiva. O mesmo espírito que reuniu engenheiros no Salão Nobre daquela noite de 1911 é o que anima a SME ao longo de décadas de defesa da engenharia mineira e de seus profissionais. Comemorar os 115 anos da Escola é, para a SME, celebrar também as próprias raízes.

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