Digitalização, automação e sustentabilidade redefinem as demandas do mercado e ampliam o papel das instituições na preparação dos profissionais do futuro
O setor de engenharia brasileiro passa por um momento de expansão expressiva, mas enfrenta um risco estrutural que pode comprometer esse avanço: a queda no número de novos profissionais formados. O alerta vem do maior censo já realizado pelo Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), divulgado em maio de 2025. Segundo o levantamento, realizado em parceria com o instituto Quaest e baseado em 48 mil entrevistas, 92% dos cerca de 1,2 milhão de profissionais registrados no Sistema Confea/Crea estão em exercício, sendo que 78% atuam diretamente em sua área de formação. Ao mesmo tempo, o estudo aponta redução significativa no número de engenheiros formados, com impacto em setores como infraestrutura, tecnologia e energia, e baixa procura pelos cursos na graduação.
Em Minas, a pressão sobre a categoria será ainda maior nos próximos anos. Segundo a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), o estado deve receber mais de R$ 100 bilhões em investimentos em infraestrutura entre 2025 e 2031, por meio de concessões e parcerias público-privadas, com projeção de 730 mil empregos diretos e indiretos. Entre os projetos em andamento estão a concessão da BR-381, o Rodoanel Metropolitano e a expansão do metrô de Belo Horizonte. A própria Fiemg, no entanto, alerta que a disponibilidade de mão de obra qualificada é um dos principais entraves para que o estado aproveite esse ciclo.
É nesse cenário que a Sociedade Mineira de Engenharia intensifica seu papel de articulação técnica e institucional, com missão de integrar, desenvolver e valorizar profissionais de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, contribuindo para o desenvolvimento tecnológico, científico e econômico de Minas Gerais e do país. “É uma janela de oportunidade que a engenharia mineira não pode desperdiçar, e o papel da SME é garantir que nossos profissionais estejam preparados para ocupar esse espaço com responsabilidade”, afirma Virgínia Campos, presidente da SME.
No plano técnico, as engenharias de todas as especialidades passam por transformações profundas. Segundo o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (CREA-RJ), o setor consolida a transição da digitalização de processos para um modelo de automação integrada, em que tecnologia, sustentabilidade, inteligência de dados e responsabilidade técnica orientam decisões estratégicas e políticas públicas. Ferramentas como o BIM (Modelagem da Informação da Construção), os gêmeos digitais e os sistemas de monitoramento em tempo real deixaram de ser diferencial para se tornar requisito básico em projetos de engenharia civil, elétrica, ambiental e de infraestrutura.
Diante desse quadro, a SME segue como interlocutora central do debate. “Com quase um século de história, sabemos que a engenharia só avança quando investe nas pessoas. É isso que orienta nossa atuação hoje e vai orientar nos próximos anos”, conclui a presidente.