SME lidera projeto para preparar municípios mineiros a enfrentar desafios climáticos

Observatório AtuAção qualifica gestores e comunidades para prevenir e responder a enchentes e estiagens com treinamentos e alertas em tempo real

Nos últimos quatro anos, centenas de municípios mineiros decretaram situação de emergência ou calamidade pública por inundações ou estiagens: foram 450 em 2021/2022, 289 em 2022/2023, 102 em 2023/2024 e 171 em 2024/2025, segundo dados da Defesa Civil de Minas Gerais. Diante desse cenário, a Sociedade Mineira de Engenharia (SME) estruturou o Observatório AtuAção, iniciativa voltada a apoiar gestores públicos e comunidades na prevenção e resposta a eventos hidrológicos extremos, como enchentes e secas prolongadas.

O projeto reúne treinamentos, elaboração de planos de drenagem e contingência, formação de brigadas comunitárias e uma plataforma digital com alertas em tempo real. “A meta é transformar informação em ação, conectando ciência, engenharia e sociedade”, resume a engenheira civil Patrícia Boson, coordenadora da Comissão Técnica de Recursos Hídricos e Saneamento da SME e responsável pela concepção do projeto.

Como o projeto atua

O Observatório AtuAção trabalha em duas frentes. Na prevenção, a SME apoia municípios na criação de mapas de risco, planos de drenagem urbana e no fortalecimento das Defesas Civis locais. Também forma agentes comunitários, como moradores, professores e lideranças, para que saibam agir antes que o desastre aconteça. Na frente corretiva, a entidade oferece suporte técnico para que municípios acessem recursos federais de reconstrução de infraestrutura e revisem planos de reassentamento de famílias em áreas de risco. Para apoiar tudo isso, o projeto conta com a Plataforma PROX, ferramenta desenvolvida pela CEMIG que monitora áreas vulneráveis, cadastra populações em risco e emite alertas preventivos em tempo real.

O projeto piloto será implantado em Barbacena, cidade da Zona da Mata mineira historicamente afetada por eventos climáticos extremos. Com a coordenação da SME, serão testadas todas as ações do projeto: treinamentos, planos de drenagem, instalação de sistemas de monitoramento e integração com a plataforma digital. O objetivo é criar um modelo replicável para outros municípios do estado e do país.

“O Projeto Piloto deve converter o conhecimento técnico em soluções replicáveis, criando um modelo sustentável de gestão de riscos com potencial de expansão para todo o Brasil”, afirma Patrícia Boson.

Uma engenharia a serviço da vida

A Sociedade Mineira de Engenharia coordena e articula os parceiros do projeto: CEMIG, Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Associação Mineira de Municípios (AMM), Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM) e Defesa Civil. A iniciativa nasce da convicção, há muito defendida pela entidade, de que desastres hidrológicos podem ser evitados. “Há tempos a SME vem alertando que esses impactos são plenamente gerenciáveis. A engenharia mineira tem o conhecimento e as ferramentas para isso. Faltava unir esforços”, conclui Patrícia Boson. Para a SME, o Observatório AtuAção se consolida como um passo importante na construção de uma nova cultura de prevenção em Minas Gerais. 

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