Entidade aproveitou o evento para ampliar contatos e prospectar novas parcerias
A Sociedade Mineira de Engenharia (SME) participou da Exposibram 2026, realizada em Belo Horizonte. Considerada um dos principais eventos da mineração brasileira, a feira teve edição recorde, com mais de 106 mil visitantes, superando os 86 mil registrados em 2024, além de mais de 750 expositores distribuídos em mais de 17 mil m² de área de exposição. Ao longo dos quatro dias, o evento reuniu mineradoras, fornecedores de tecnologia e serviços, empresas de engenharia, investidores, especialistas, profissionais e estudantes.
A SME esteve representada por Virgínia Campos, engenheira civil e presidente da entidade, e por Adalberto Carvalho de Rezende, engenheiro civil e vice-presidente de Relações Institucionais. Também acompanharam o evento Antônio Humberto Pereira de Almeida, engenheiro mecânico, conselheiro diretor da SME e diretor Técnico e de Fiscalização do Crea-MG, e Victor Guimarães Vieira, engenheiro civil, conselheiro suplente da Câmara Especializada de Engenharia Civil do Crea-MG e tutor do Projeto Força-Tarefa Cidadã em Minas Gerais. A comitiva contou ainda com Fabíola Veríssimo, coordenadora administrativa da SME, e Umberto Rizzuto Netto, membro da Comissão de Mineração e Metais da entidade e diretor de Comunicação e Relacionamento do Grupo Mecbrun Industrial, empresa que cedeu parte do espaço de seu estande para a SME durante a feira.
Foi essa parceria com a Mecbrun que deu à instituição um ponto fixo de presença ao longo dos quatro dias de evento, viabilizando a participação da entidade em gravações e entrevistas para o Podcast da Mineração, iniciativa conduzida por Rizzuto Netto e pelo empresário Jony Peterson. Entre os temas tratados esteve a importância das diferentes engenharias no setor mineral, cada vez mais relacionado a questões como sustentabilidade e inserção da sociedade.
“Recebemos diversas visitas de estudantes e profissionais que já conheciam a SME, além de pessoas que, a partir do evento, demonstraram interesse em interagir com a entidade. Acredito que foi a primeira iniciativa de fomento e sinergia entre ela e os profissionais das engenharias no setor Mineral Brasileiro”, afirma Rizzuto Netto.
Investimento bilionário na mineração amplia demanda por engenharia
A movimentação em torno da Exposibram já se traduz em agenda concreta para a instituição. Segundo Victor Guimarães Vieira, a entidade iniciou conversas com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ) e com a Agência Nacional de Mineração (ANM), além de criar condições para receber outras associações e estabelecer novas parcerias em sua sede. “Neste momento de dificuldade no ambiente financeiro do país, toda parceria com investidores, formadores de mercado e de oportunidades será bem-vinda. Precisamos criar um ecossistema de mineração com ajuda mútua”, afirma Guimarães.
Esse movimento de aproximação acontece num momento de expansão do setor. Segundo o IBRAM, a previsão de investimentos na indústria mineral brasileira entre 2026 e 2030 é de US$ 76,9 bilhões, valor 12,5% acima da projeção anterior. Minas Gerais concentra a maior fatia do país, com US$ 19,675 bilhões previstos, o equivalente a 25,6% do total nacional, à frente de Pará (US$ 14,661 bilhões), Bahia (US$ 11,687 bilhões), Ceará (US$ 5,463 bilhões) e Amazonas (US$ 2,660 bilhões). O estado também respondeu por 39,9% do faturamento da mineração brasileira em 2025, segundo a mesma fonte. Do total de investimento previsto no país, US$ 21,3 bilhões estão relacionados a minerais críticos e estratégicos, como cobre, níquel, lítio, terras raras e grafita, insumos ligados à eletrificação e à transição energética.
Para Rizzuto Netto, esse volume de recursos amplia a demanda por diferentes frentes da engenharia, entre elas escavação e carregamento, plataformas elevatórias, manutenção industrial, montagem eletromecânica, obras civis, expansão de minas e instalações elétricas e mecânicas. Parte considerável dessa demanda surge ainda antes da operação da mina começar, durante as etapas de planejamento, implantação, construção e montagem das plantas, o que amplia o espaço de atuação para empresas de engenharia e montagem contratadas pelas mineradoras, EPCistas e fornecedores de equipamentos em regiões como o Quadrilátero Ferrífero, o Jequitinhonha e o Norte de Minas Gerais. “Para a SME, estar no maior evento da América Latina do setor mineral foi uma oportunidade de aproximar a entidade dos profissionais de engenharia que contribuem para o desenvolvimento da mineração brasileira. A participação também mostrou como a colaboração entre empresas pode gerar soluções, agregar valor e aproximar pessoas”, resume Rizzuto.
Valorização profissional e novas gerações
Para Victor, esse cenário de expansão não se sustenta sem investimento também nas pessoas que vão sustentar esse crescimento: os profissionais técnicos e as novas gerações da engenharia. “A valorização do profissional técnico passa pela conscientização sobre a importância do setor. Precisamos buscar continuamente a aproximação com as associações e com a nova geração. A troca de experiências entre gerações será uma força para impulsionar o desenvolvimento da infraestrutura do nosso país”, afirma Guimarães, que também destaca a atuação conjunta da SME e do Crea-MG na aproximação entre empresas e o ambiente acadêmico, em benefício da sociedade.
Para a presidente da Sociedade Mineira de Engenharia, Virgínia Campos, a experiência reforça o papel institucional da entidade junto ao setor. “A participação na Exposibram foi uma oportunidade de apresentar a SME, conhecer diferentes realidades do setor mineral e estabelecer novos contatos. Essa experiência amplia nossa visão sobre os desafios da engenharia e reforça a importância de uma atuação cada vez mais próxima dos profissionais atuais e futuros e das transformações do setor.”
Como sintetiza Guimarães, a engenharia está diretamente ligada às condições necessárias para o desenvolvimento do país: “Sem infraestrutura, não temos desenvolvimento social e econômico.”