Ilso de Oliveira: transferência de conhecimento é legado do Engenheiro do Ano SME

Com quase 50 anos dedicados à projetos Industriais e à liderança institucional no país, o homenageado da SME discute produtividade, governança e o papel estratégico da engenharia no desenvolvimento nacional

Em celebração à Semana Nacional da Engenharia, a Sociedade Mineira de Engenharia (SME) anunciou oficialmente o engenheiro civil Ilso José de Oliveira como o homenageado com a tradicional Medalha SME Engenheiro do Ano 2026. O anúncio coroa uma trajetória de quase cinco décadas dedicadas à engenharia de implantação de projetos industriais de grande porte e infraestrutura em diversas regiões do país.

Graduado em Engenharia Civil em 1976 e com cinco décadas de carreira marcada pela fundação da Reta Engenharia e da RETC Infraestrutura Industrial e atual liderança no Conselho da RETC Infraestrutura Industrial, Oliveira foi indicado à Medalha SME Engenheiro do Ano de 2026 por sua expressiva contribuição à engenharia de implantação de grandes obras industriais. Sua escolha se fundamenta não apenas no relevante histórico empresarial e na liderança institucional — atuando em entidades como a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Sinduscon/MG e a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), onde atualmente ocupa o cargo de vice-presidente da área de obras industriais—mas também no seu compromisso com a valorização profissional, a formação de novas gerações, a segurança e a defesa contínua da qualidade técnica e da modernização produtiva em setores estratégicos da infraestrutura nacional.

Entrevistado em primeira mão pela página do Movimento Minas 2032, Ilso de Oliveira detalhou momentos decisivos de sua carreira — desde a fundação e consolidação da Reta Engenharia e a atuação na RETC Infraestrutura Industrial até sua visão sobre o futuro do setor produtivo nacional. A solenidade de entrega da honraria acontecerá no dia 11 de dezembro, data em que se comemora o Dia do Engenheiro.

Abaixo, nos principais trechos da entrevista. O especialista compartilha parte do legado e reforça a importância do planejamento e transferência de conhecimento pela construção sólida do desenvolvimento econômico:

O que motivou sua escolha pela engenharia civil e como se deu o início da sua trajetória profissional?

O fascínio surgiu ainda na infância em Santa Juliana (MG), unindo o interesse por matemática e história à percepção de que as grandes transformações da humanidade nasceram de invenções da engenharia.

Como nasceu a Reta Engenharia e quais foram os pilares para transformar a empresa em referência no setor industrial?

A empresa começou a operar em janeiro de 1995, impulsionada pela estabilidade do Plano Real, por aprendizados de gestão na Fundação Dom Cabral e pelo conhecimento adquirido na implantação de diversos projetos industriais de grande porte em todo o país. Percebemos que o diferencial competitivo estava em elaborar propostas tecnicamente estruturadas, integrando diretamente as equipes de planejamento e orçamento à execução nos canteiros. A governança também foi fundamental: começamos com dois sócios e chegamos a dezessete, além de alcançarmos certificações pioneiras, como a de segurança da informação, onde fomos a primeira empresa de engenharia da América Latina a conquistar esta certificação. Outro fator relevante foi a disposição de compartilhar conhecimento e atuar de forma ética e transparente com nossos clientes e parceiros.

Quais os principais gargalos para o desenvolvimento dos projetos industriais no Brasil e o que esperar para os próximos anos?

O Brasil reúne atributos únicos no cenário global: recursos naturais abundantes, vasta extensão territorial, ausência de catástrofes climáticas severas ou guerras. O grande entrave ainda é a carência de segurança jurídica e de um planejamento estratégico de longo prazo com caráter de Estado, e não apenas transitório de governos. A engenharia é a mola propulsora do desenvolvimento, especificamente da mineração, energia e indústria, infraestrutura sendo essencial para transformar esses investimentos em desenvolvimento sustentável.

Como o senhor enxerga a transferência de conhecimento e o preparo das novas gerações para enfrentar os desafios de produtividade e maturidade na engenharia de obras industriais?

A transferência e a retenção do conhecimento técnico e o ensino continuado são fundamentais para o fortalecimento da nossa profissão. O primeiro eixo do nosso trabalho é justamente a Valorização da Engenharia, que passa por despertar nos jovens o interesse pela profissão, pela formação e qualificação contínua dos profissionais para termos engenheiros em quantidade, preparados e disponíveis para o mercado. Não podemos desperdiçar o conhecimento acumulado e embarcado ao longo de décadas pelas empresas do setor. É preciso conectar essa bagagem prática às novas ferramentas e metodologias, integrando a experiência consolidada com a capacidade de inovação das novas gerações. Quando promovemos a cooperação técnica e garantimos que o aprendizado seja compartilhado de forma estruturada, elevamos a produtividade, aumentamos a maturidade das organizações e asseguramos um legado sólido e seguro para o desenvolvimento do País.

Qual o significado de receber a Medalha SME Engenheiro do Ano 2026?

Recebo com imensa gratidão, surpresa e senso de dever cumprido. Prestes a completar 73 anos e com cinco décadas de estrada, mantenho o entusiasmo do início. Dedico essa conquista à minha família — especialmente à minha esposa Maria Jamar, parceira de 52 anos de caminhada, e aos nossos filhos e netos —, bem como a todos os profissionais que construíram essa história comigo.

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