No Réveillon Hidrológico 2026, SME debate a evolução das ferramentas para o conhecimento e gestão dos recursos hídricos, da era totalmente analógica aos limites da inteligência artificial na gestão da água

Evento na sede da entidade, em 30 de setembro, reuniu 197 pessoas para discutir a gestão de recursos hídricos “ontem, hoje e amanhã” — e para lembrar que nenhum modelo, nem de IA, funciona sem dado de campo

A sede da Sociedade Mineira de Engenharia (SME), na Rua dos Timbiras, em Belo Horizonte, reuniu 197 pessoas na noite de 30 de setembro para o Réveillon Hidrológico 2026. O evento marca a virada do Ano Hidrológico — data que, no Sudeste do Brasil, assinala o fim do período seco e o início da reposição dos reservatórios — celebrada há cerca de três décadas por hidrólogos e hidrogeólogos e incorporada recentemente ao calendário oficial da SME pela Comissão Técnica de Recursos Hídricos e Saneamento.

O tema deste ano — “Gestão de Recursos Hídricos: Ontem, Hoje e Amanhã” — definiu o formato da noite. Às 17h, a mesa de abertura, batizada “A Indispensável Coleta de Dados”, deu o tom do que viria a seguir: um programa dividido propositalmente em dois tempos. Na primeira parte, um bate-papo sobre hidrologia e hidrogeologia “analógica” — casos e causos de quem viveu a profissão antes da digitalização. Na segunda, a evolução do  conhecimento com: hidrologia e hidrogeologia digital, o uso da inteligência artificial na gestão de recursos hídricos em pauta. A noite terminou com coquetel de comemoração, a partir das 19h.

Foi na abertura, amarrando o “ontem” e o “amanhã” do programa, que Patrícia Boson, coordenadora da Comissão Técnica de Recursos Hídricos e Saneamento e membro do Conselho Deliberativo da SME, resumiu o espírito do encontro. Segundo ela, reuniões como essas reforçam a importância da hidrologia para o desenvolvimento de qualquer atividade — fonte de vida humana e de vida dos ecossistemas — e funcionam também como estímulo para atrair novos profissionais à área, justamente no momento em que o tema da noite colocava a inteligência artificial em pauta.

“Não importa quanto a tecnologia evolua no conhecimento da hidrologia e da hidrogeologia: a base continua sendo o dado básico. Por mais sofisticado que seja o modelo matemático, por mais rápida que seja a resposta que ele entrega, tudo depende de um bom dado de entrada — e, se a pessoa não sabe de onde ele vem, o modelo perde o sentido. Por isso o nosso recado é estimular as pessoas a ir a campo, a conhecer de perto como esses dados básicos são coletados, e a se profissionalizar numa área tão rica e tão importante quanto a hidrometria e a pluviometria”, afirma Patrícia.

Inúmeros trabalhos, eventos e propostas discutidas pela Comissão de Recursos Hídricos e Saneamento demonstram a importância estratégica da gestão de recursos hídricos para Minas e para o País. Apenas para ficarmos nos efeitos dos recentes eventos climáticos extremos, com águas demais e águas de menos,  esses já custaram R$ 4,2 bilhões ao estado nos últimos dez anos. Em 2025, o Estado de Minas Gerais registrou 520 desastres, que afetaram diretamente 748,8 mil pessoas e deixaram 16 mortos, 111 feridos ou enfermos e 9.486 desabrigados ou desalojados.

O porte do Réveillon Hidrológico 2026 reflete esse peso institucional: além da realização da SME, o evento teve apoio do CREA-MG, apoio ouro da PCP Engenharia e apoio prata de nomes como Cemig, Governo de Minas, IBRAM, Hatch e HidroBR, entre outros. A edição de 2025 já havia reunido mais de 150 participantes, e a SME pretende manter a celebração como compromisso fixo do seu calendário — um espaço para formar, ano após ano, os profissionais que vão lidar na prática com os números que a própria Patrícia levanta.

Artigos Relacionados