Iniciativa liderada pela Sociedade Mineira de Engenharia aproxima universidades mineiras, pesquisadores e setor produtivo da instituição americana, com perspectiva de ampliar experiências de cooperação já existentes.
O Programa de Intercâmbio Técnico-Profissional da Sociedade Mineira de Engenharia (SME), iniciado em abril após a visita institucional da presidente Virgínia Campos à Universidade de Kentucky, nos Estados Unidos, avançou em setembro com a vinda de uma representante da instituição americana a Belo Horizonte. O encontro, realizado na sede da SME, reuniu universidades mineiras e representantes do setor produtivo e abriu novas perspectivas de cooperação. Entre os primeiros resultados estão oportunidades de doutorado com financiamento para 2027, em áreas da Engenharia de interesse das instituições participantes e relacionadas às atividades das Comissões Técnicas da SME.
A articulação teve início em abril, quando Virgínia Campos foi recebida, em Lexington, por Tim Barnes, diretor executivo de Parcerias Internacionais e Pesquisa da Universidade de Kentucky, que desde julho acumula também a função de vice-reitor interino de Engajamento Global. Com 25 anos de experiência na gestão de parcerias institucionais em universidades públicas de pesquisa nos Estados Unidos, Barnes participou das primeiras conversas sobre a possibilidade de estabelecer uma cooperação de caráter mais amplo, envolvendo formação, pesquisa, intercâmbio profissional e aproximação com o setor produtivo.
Desde então, a coordenação do programa pela SME está a cargo da engenheira civil Pollyana Reis, com apoio da Associação Brasileira de Educação em Engenharia (Abenge). Entre as possibilidades inicialmente examinadas está a realização de um projeto-piloto no verão de 2027, no hemisfério norte, com a participação de três a cinco estudantes e duas a três empresas parceiras, priorizando áreas como infraestrutura, energia, mineração e engenharia ambiental.
A proposta da SME é construir uma iniciativa institucional ampla e permanente, capaz de reunir e potencializar diferentes oportunidades de cooperação internacional em Engenharia. Nesse contexto, experiências já existentes entre instituições brasileiras e a Universidade de Kentucky poderão contribuir para a estruturação do programa.
É o caso da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), que mantém desde 2022 um acordo de cooperação com a instituição americana, voltado ao intercâmbio de estudantes de Engenharia. A SME vê nessa experiência uma oportunidade de aproximação e complementaridade, que poderá ser incorporada à rede de relacionamentos do novo programa, ampliando suas possibilidades de alcance. A intenção é articular iniciativas existentes e novas parcerias em torno de um projeto que contemple não apenas estudantes de graduação, mas também pesquisadores, profissionais em atividade, associados da SME e empresas.
“O mais interessante dessa aproximação é a possibilidade de transformar uma relação institucional em oportunidade concreta para as pessoas, para os nossos associados. Começamos essa conversa quando estive na universidade, em abril, e ela vem avançando de forma bastante célere”, afirma Virgínia Campos, presidente da SME.
O avanço das tratativas levou à visita de Audra Cryder, representante da Universidade de Kentucky, a Belo Horizonte, em setembro. Em encontro promovido pela SME, participaram representantes de instituições de ensino superior mineiras e do setor produtivo, criando um ambiente de interlocução sobre interesses comuns e possibilidades de cooperação.
“Recebemos aqui na SME a representante da universidade, e reunimos também universidades mineiras e representantes do setor produtivo. Já aparecem resultados concretos: recebemos informações sobre oportunidades de doutorado com financiamento para 2027, em áreas muito interessantes da engenharia e muito próximas do que as universidades parceiras desenvolvem em pesquisa — e alinhadas aos temas que as nossas comissões técnicas desenvolvem. Estamos nos movimentando para identificar, ainda em 2026, as pessoas com perfil para essas oportunidades”, conta Virgínia.
Para a presidente da SME, as oportunidades de doutorado representam um primeiro resultado concreto de uma iniciativa que pretende alcançar dimensões mais amplas.
“O que a gente quer é ir além: estamos estruturando, na SME, um projeto de intercâmbio internacional em engenharia, para criar essas pontes entre estudantes, pesquisadores e profissionais. Essa conversa dialoga muito bem com o prêmio que estamos construindo em homenagem ao professor José Israel Vargas — que não é só sobre reconhecer talento, mas sobre transformar esse reconhecimento em oportunidade concreta de desenvolvimento”, completa.
A perspectiva é que o programa possa, progressivamente, identificar oportunidades de formação, pesquisa aplicada, intercâmbio técnico-profissional e aproximação entre instituições de ensino e empresas, aproveitando competências e experiências de ambos os países.
Questionada sobre o que Minas Gerais tem a aprender — e a oferecer — nessa troca, Virgínia destaca que o intercâmbio não deve ser entendido como uma via de mão única.
“Eu vejo essa relação como uma troca. Não é simplesmente mandar estudantes mineiros para estudar nos Estados Unidos — é aproximar dois ambientes de engenharia que têm experiências diferentes e, por essas diferenças, muito para compartilhar. Nós podemos aprender bastante com a maneira como a Universidade de Kentucky aproxima pesquisa, inovação e formação de pessoas”, diz.
Ela cita um aspecto que chamou sua atenção durante a visita à universidade americana:
“Uma coisa que me chamou muita atenção, quando estive lá, foi perceber a preocupação deles em atrair bons talentos e, em contrapartida, oferecer condições para que esses talentos possam se dedicar exclusivamente às pesquisas. Eu penso que nós, aqui em Minas Gerais, também temos muito a oferecer: excelentes universidades, muito bem pontuadas nos rankings nacionais, pesquisadores qualificados e profissionais experientes, com uma engenharia que convive com desafios concretos — na mineração, na energia, na infraestrutura, em recursos hídricos, meio ambiente, agricultura e florestas. Isso a gente pode perceber inclusive no perfil e na preparação dos nossos próprios coordenadores de comissão, alinhados a esses temas.”
Ao assumir o papel de articuladora dessa rede de cooperação, a SME procura contribuir para que relações institucionais se transformem em oportunidades efetivas de desenvolvimento profissional, científico e tecnológico. O programa também expressa uma das diretrizes do Projeto Institucional SME 2031: mobilizar conhecimento técnico e multidisciplinar e ampliar as possibilidades de contribuição da Engenharia para a sociedade.
“O que nós queremos é exatamente isso: uma ponte de mão dupla. Queremos que nossos jovens tenham experiências lá, mas também trazer pesquisadores, conhecimento e novas experiências para cá. Entendo que esse seja o papel mais importante da SME nesse processo: aproximar pessoas, aproximar instituições, e fazer com que essas aproximações se transformem em oportunidades reais”, resume a presidente da SME.